sábado, novembro 07, 2009

Côr de ajaezado .



Quando eu morrer batam em latas ,
Rompam aos saltos e aos pinotes ,
Façam estalar no ar chicotes ,
Chamem palhaços e acrobatas
!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa ,
Eu quero por força ir de burro.



Mário de Sá Carneiro

2 comentários:

  1. Esta festividade na morte, tão pagã e tão alegre foi uma surpresa para mim quando descobri o Mário pelos treze anos. Não cessa de me espantar e de me maravilhar. A morte devia ser esse "até breve" que nos encontraremos de novo. A materialidade impede-nos a alegria do despojamento.
    Os Burros para mim são assim, alegres coloridos seres de extrema sensibilidade e paciência com as limitações da estupidez humana.
    Luís
    Luís

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  2. Luis ,
    sabes que amo este Senhor ?

    Quanto à morte há muito que a vejo assim .

    Quanto aos burros concordo em absoluto contigo . Acrescento mais um atributo , que também vejo nos olhos das vacas , doçura .
    Um beijo ,
    Maria

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