quinta-feira, janeiro 07, 2010

Côr de nos baste .


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade.
E dizem-se palavras que
a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável ...
O contorno , a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.




José Saramago

5 comentários:

  1. Querida Amiga ,

    não conhecia a poesia de Saramago .

    Gostei muito deste poema.

    Beijos

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  2. Olá Paulo ,

    Conheço os "Poemas Possíveis " e um ou outro da net , e não esperava gostar de tantos , dado a especificidade da sua prosa .

    Um homem é um mundo , dê ele conta disso .

    Beijo e obrigada pela visita.

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  3. Escolheste um belo texto do Saramago.
    Eu gosto de quase tudo o que ele escreve. E acho que li mais de metade do que publicou.
    Um beijo, querida amiga.

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  4. Assim até gosto mais de Saramago! está um espanto o slide.
    Bjs

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  5. O milagre sempre voa longe, quando se acredita na vida.


    Beijo imenso, portuguesa do meu coração.

    Rebeca

    -

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