terça-feira, novembro 30, 2010

Côr de nevoeiro . . .



Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer ...

Brilho sem luz e sem arder ,
Como o que o fogo-fatuo encerra.

Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
_ Que ancia distante perto chora
? _

Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal , hoje és nevoeiro ...

É a Hora
!



*
Fernando Pessoa _ A Mensagem _
Olga Domanova

5 comentários:

  1. tão verdade hoje, tão verdade ontem, e amanhã?
    "I do not know what tomorrow will bring"

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  2. Há tanto tempo a entristecer, acho que sofremos de tristeza crónica...
    Beijos, querida Maria amiga.

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  3. É a segunda vez hoje que leio Pessoa e aqui deixo uma frase do primeiro poema que li: "Falta cumprir-se Portugal!"

    Um abraço.

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  4. *
    a mensagem,
    da Mensagem,
    que envias
    deveria ser lida,
    pelos culpados do nevoeiro . . .
    ,
    brisas claras,
    deixo,
    ,
    *

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  5. Este contínuo repetir, este destino que, de tão adiado, se transforma no próprio destino...

    Beijo :)

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