Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi




A _ cor _ dar , é preciso !


quinta-feira, dezembro 30, 2010

Côr de banjo



A beleza do acaso .

[ esta cena não fazia parte do guião do filme , e aconteceu quando a equipa fez uma paragem neste sitio ]

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Côr de desejo


*

Meteu o punhal dentro do bolso e saiu para a noite deserta .
Deserta e escura .
Seu desejo assassino era somente apunhalar as trevas
e
riscá - las de luz .

*

*

Vasco Miranda

Graciela Bello

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Côr de ... segue -o .


*
Ninguém
pode construir em teu lugar as pontes que precisarás de passar para atravessar o rio da vida.
Ninguém, excepto tu , só tu.
Existem , por certo , atalhos sem número , e pontes , e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio , mas isso te custaria a tua própria pessoa .
Tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Aonde leva ?
Não perguntes . . . segue-o !



Friedrich Nietzsche
Carlos Verdial

sexta-feira, dezembro 24, 2010

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Côr de esquina



Foi
numa esquina qualquer que se encontraram o Pai Natal e o Menino Jesus.

Enquanto aquele se preparava para trepar um prédio , com o seu saco às costas , este último, recém-nascido , descia à terra e oferecia-se inerme , num pobre estandarte , que cobria uma mísera janela.
_ Quem és tu , Menino _ disse o velho_ e que fazes por aqui
?! É a primeira vez que te vejo !

_ Sou Jesus de Nazaré e ando há vinte séculos à procura de uma casa que me receba e , como há dois mil anos em Belém , não há quem me dê pousada.
_ Pois não é de estranhar
! Não vês que vens quase nu ?! Porque não trazes roupas quentes, como as que eu tenho , para me proteger do frio do inverno ?

_ O calor com que me aqueço é o fogo do meu amor e o afecto dos que me amam.
_ Eu trago muitos presentes , para os distribuir pelas casas das redondezas. E tu , que andas por aqui a fazer
?

_ Eu sou rico, mas fiz-me pobre , para os pobres enriquecer com a minha pobreza. Eu próprio sou o presente de quem me acolher. Não vim ensinar os homens a ter , mas a ser , porque quanto mais despojada é a vida humana , maior é aos olhos do Criador.
_ E de onde vens e como vieste até aqui
?
Eu venho da Lapónia, lá para as bandas do pólo norte.
_ Eu venho do céu , de onde é o meu Pai eterno , e vim ao mundo pelo sim de uma virgem .
_ Que coisa estranha
! Nunca ouvi falar de ninguém que tenha nascido de uma virgem e assim tenha vindo ao mundo ! E não tens nenhum animal que te transporte para tão longa viagem , como eu tenho estas renas ?

- Um burrinho foi a minha companhia em Belém , e foi também o meu trono real , na entrada triunfal em Jerusalém.
_Um burro ?! Não é grande coisa , para trono de um rei …
_ O meu reino não é deste mundo e a sua entrada é tão estreita que os meus cortesãos , para lá entrarem , se têm que fazer pequeninos , porque destes é o meu reino.
_E que coisas ofereces
? Que tesouros tens para dar ? Que prometes ?

_ Trago a felicidade , mas escondida na cruz de cada dia , trago o céu , mas oculto no pó da terra , trago a alegria e a paz , mas no reverso das labutas do próprio dever , trago a eternidade , mas no tempo gasto ao serviço dos outros , trago o amor , mas como flor e fruto da entrega sacrificada.
_ Pois eu trago as coisas que me pediram ... jogos e brinquedos para os miúdos e , para os graúdos , saúde , prazer , riqueza e poder. Mas , por mais que lhes dê , nunca estão satisfeitos!
_ A quem me dou , quer-me sempre mais na caridade que tem aos outros , porque é nos outros que eu quero que me amem a mim.
_Mais um enigma
! De facto , somos muito diferentes , mas pelo menos numa coisa nos parecemos ... ambos estamos sós , nesta noite de consoada !

_ Eu nunca estou só , porque onde estou , está sempre o meu Pai e onde eu e o Pai estamos , está também o Amor que nós somos e estão aqueles que me amam.
_Bom , a conversa está demorada e ainda tenho muitas casas para assaltar , pela lareira , como manda a praxe.
_ Eu estou à porta e bato e só entrarei na casa de quem liberrimamente me abrir a porta do seu coração e aí cearei e farei a minha morada.
_Pois sim , mas eu vou andando que já estou velho e cansado …
_ Eu acabo de nascer e quem , mesmo sendo velho , renascer comigo , será como uma fonte de água viva a jorrar para a vida eterna.
O velho Pai Natal , resmungando , subiu ao telhado do luxuoso prédio , atirou-se pela chaminé abaixo e desapareceu.


Recebido por e - mail .
Brett Lethbridgelliot

terça-feira, dezembro 21, 2010

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Côr de Carlos Pinto Coelho .



Sete anos depois de terem morto o programa Acontece ,
[ _ saía mais barato pagar uma viagem à volta do mundo a cada telespectador do programa do que o manter _ palavras do ministro da tutela de então , Morais Sarmento ] morre , no passado dia 15 , o seu apresentador .
Pesar ... ...

sábado, dezembro 11, 2010

Côr de vida ... de cães .



As duas histórias que se seguem são rigorosamente verdadeiras e têm a ver com cães especiais , sem raça defenida , cães fura vidas , e são monumentos a uma pequena liberdade de quatro patas .

A primeira fala de uma cadela que ocupou as manchetes dos jornais espanhois .
Durante onze anos tentaram infrutivamente apanhar a cadela de cor castanha .Não pedia nem olhava com expressão faminta . Simplesmente agradecia a genorizade das pessoas com discretos movimentos do rabo . Escapava sempre dos laços e redes , e quando se via a salvo ladrava feliz por ser livre . Mas uma tarde não conseguiu safar-se da rede .
Nunca uma cadela recebeu tantos pedidos de adopção . Parecia que todos os habitantes de San Sebastián a queriam . O seu cativeiro durou apenas dois dias . Assim , foi entregue a uma familia que não quis mudar seus hábitos . La Negra continua a dar os seus passeios , a brincar ... e a exibir no pescoço uma coleira que a identifica como cadela com morada conhecida .
O outro animal , um cão chamado Chiquito , não teve tanta sorte . Há sete anos que andava pelo centro de Santa Fé, e teve a infeliz ideia de meter o focinho num saco de plástico que tinha dono . Um individuo iracundo , que parou numa esplanada e deixou o saco no chão .
Chiquito não não roubou nem provou a carne , somente cheirou , mas isso bastou para que o individuo lhe desse um par de pontapés . Chiquito defendeu - se , e embora não tivesse conseguido mordê - lo , rasgou - lhe as calças .
Chiquito foi capturado pela policia . O energúmeno das calças rotas exigiu que o matassem . Os policias de Santa Fé negaram - se , e , então o sujeito denunciou a agressão ao tribunal .
Houve julgamento e Chiquito foi declarado culpado por ter causado lesões leves ao miserável que o agredira , e passou seis anos preso numa esquadra .
Até à pouco , a página _ Liberdade para Chiquito _ mostrava milhares de assinaturas que pediam a sua liberdade , ou um julgamento justo .
Chiquito morreu na prisão , aos dezoito anos . Os policias que cuidavam dele afirmam que , até ao ultimo dia , olhava para a rua e suspirava com a tristeza digna dos que sabem perder .

Tenho dois pastores alemães , e ás vezes sento - me no jardim e conto - lhes histórias .
Gostaram da história de La Negra , mas a do Chiquito , não sei se lhes contarei algum dia .



Luis Sepúlveda _ histórias daqui e dali [ esta com pequenos cortes ] _
Elisabeth H. O´Connor

quarta-feira, dezembro 08, 2010

domingo, dezembro 05, 2010

sábado, dezembro 04, 2010

Côr de Violeta


*
Passeando pelos jardins da memória , descubro que
as minhas recordações estão associadas aos sentidos .

A minha tia Teresa , a que se foi transformando em anjo e morreu com indícios de asas nos ombros , está sempre presente e ligada ao cheiro dos rebuçados da violeta . Quando esta dama encantadora aparecia de visita , nós as crianças corriamos ao seu encontro e ela abria com gestos rituais a sua velha mala , tirava uma pequena caixa de lata pintada e dava - nos um rebuçado cor de malva .

E partir de então , todas as vezes que o aroma inconfundível de violetas se insinua no ar , a imagem dessa tia santa , que roubava flores nos jardins alheios para levar aos moribundos do hospital , regressa intacta à minha alma .

Quarenta anos depois soube que era esse o selo de Josefina Bonaparte , que confiava cegamente no poder afrodisíaco daquele aroma fugidio que tão depressa assalta com uma intensidade quase nauseabunda , como desaparece sem deixar rasto para logo voltar com renovado ardor .

As cortesãs da Grécia antiga usavam - no antes de cada encontro amoroso , para perfumar o hálito e as zonas erógenas .

No Tantra , filosofia mística e espiritual que exalta a união dos opostos em todos os planos , desde o cósmico até ao mais infímo , e na qual o homem e a mulher são espelhos de energias divinas , a violeta é a cor da sexualidade feminina , e por isso a adoptaram alguns movimentos femininos .



Isabel Allende _ pequeno excerto de Afrodite , histórias , receitas e outros afrodisíacos _
Rene Magritte