Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi




A _ cor _ dar , é preciso !


terça-feira, dezembro 30, 2014

Côr de despedida e espera




Despediram - se   do  ano  que  parte , como  convém ,
e
esperam   o   novo ,  desejando  que  seja   portador ,
 ________________  para   todos ____________                                         
daquilo  que  de  mais  importante  considerem  para 
as  suas  vidas  !



segunda-feira, dezembro 29, 2014

quinta-feira, dezembro 25, 2014

Côr do meu menino Jesus





















  
  Ele mora comigo na minha casa         
     a  meio  do outeiro.
     Ele é a Eterna Criança , o deus que

     faltava.
     Ele é o humano que é natural ,
     Ele é o divino que sorri e que brinca.
     E por isso é que eu sei com toda a

     certeza
     Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

     E a criança tão humana que é divina
 

     A Criança Nova que habita onde
     vivo .
     Dá-me uma mão a mim
     E a outra a tudo que existe
     E assim vamos os três pelo caminho

     que houver,
     Saltando e cantando e rindo
     E gozando o nosso segredo comum
     Que é o de saber por toda a parte
     Que não há mistério no mundo
     E que tudo vale a pena.

     A Criança Eterna acompanha-me
     sempre
     A direção do meu olhar é o seu dedo

     apontando.
     O meu ouvido atento alegremente 

     a  todos os sons
  

     Damo-nos tão bem um com o outro
     Na companhia de tudo
     Que nunca pensamos um no outro,
     Mas vivemos juntos e dois
     Com um acordo íntimo
     Como a mão direita e a esquerda.

     Ao anoitecer brincamos as cinco
     pedrinhas
     No degrau da porta de casa .
     Graves como convém ,
     E como se cada pedra
     Fosse todo um universo ,
     E fosse por isso um grande perigo

     para ela
     Deixá-la cair no chão.

     Depois eu conto-lhe histórias das
     cousas só dos homens
     E ele sorri, porque tudo é incrível.
     Ri dos reis e dos que não são reis,
     E tem pena de ouvir falar das

     guerras,
     E dos comércios, e dos navios
     Que ficam fumo no ar dos altos -

     mares
     Porque ele sabe que tudo isso falta

     àquela verdade
     Que uma flor tem ao florescer  .
     E que anda com a luz do sol
     A variar os montes e os vales .
     

     Depois ele adormece e eu deito-o.
     Levo-o ao colo para dentro de casa
     E deito-o, despindo-o lentamente
     E como seguindo um ritual muito

     limpo ,
     E todo materno até ele estar nu.

 
     Ele dorme dentro da minha alma .
    
     Quando eu morrer , filhinho,
     Seja eu a criança, o mais pequeno.
     Pega-me tu ao colo
     E leva-me para dentro da tua casa.
     Despe o meu ser cansado e humano
     E deita-me na tua cama.
     E conta-me histórias, caso eu acorde,
     Para eu tornar a adormecer.
     E dá-me sonhos teus para eu brincar
     Até que nasça qualquer dia
     Que tu sabes qual é.
    
     Esta é a história do meu Menino

     Jesus
     Por que razão que se perceba
     Não há de ser ela mais verdadeira
     Que tudo quanto os filósofos pensam
     E tudo quanto as religiões ensinam
?









Alberto  Caeiro _  Guardador  de  Rebanhos_ [excerto  de  Num  meio  dia de  fim  de  primavera ]

imagem  _  Dorothy  Lathrop  _
 
 

domingo, dezembro 21, 2014

Côr de Natal




















Não
se  sabe  se   no  Natal   se  celebra   o   nascimento   de  Jesus   ou  de   mercúrio ,  deus  do   comércio .




Eduardo  Galeano  _  De pernas pro ar _
imagem _ Michael  Alfano _



Quero 
acreditar  que  que  Aquele  Ser  de  Luz    existe   em  nós   todos  os  dias  .
E  quando   acreditamos ,   Ele  está .

domingo, dezembro 14, 2014

Côr de Ultimatum

Pequeno excerto de Ultimatum , de Alvaro de Campos

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Côr de a carta




















Enrique  Buenaventura  estava  bebendo  rum  numa  taverna  do  Cali ,  quando   um  desconhecido  se  aproximou  da  mesa . O   homem  se  apresentou ,  era  pedreiro  de  ofício .  
_Perdoe  o   atrevimento ,  desculpe  o  incómodo . . .
_  Preciso  que  o   senhor   escreva   para  mim .  
Uma  carta  de  amor .
_  Eu ? 
_ É  que  me  disseram  que  o  senhor  sabe .
Enrique  não   era  um  especialista ,  mas  inchou  
o   peito .
O  pedreiro  explicou   que  não  era  analfabeto . . .
_ Eu  sei  escrever ,  isso  eu   sei. Mas  uma  carta  
assim ,  não  sei .
_ E  para   quem  é  a  carta  ?
_ Para . . . ela .
_ E  o  que  o  senhor  quer  dizer ?
_ Se  eu  soubesse  não  precisava  pedir .
Enrique  coçou  a  cabeça .
Naquela  noite ,  pôs  mãos  à  obra .
No  dia   seguinte  o  pedreiro  leu  a   carta ...
_   Isso  _  disse ,  e  seus  olhos  brilharam , era  isso  mesmo .
Mas  eu  não  sabia  que  era  isso  o  que   eu   queria  dizer .




Eduardo  Galeano Bocas  do  tempo ]

imagem _  net _