terça-feira, maio 05, 2015

Côr de fotografia



















Chinolope vendia jornais e engraxava sapatos em 
Havana.
Para deixar de ser pobre , foi-se embora para Nova Iorque.
Lá , alguém deu - lhe  de presente  uma máquina de fotografia.
Chinolope nunca tinha segurado uma câmara nas 
mãos, mas disseram -  lhe que era fácil . . .
_ Você olha por aqui e aperta ali _.
E ele começou a andar pelas ruas. 
Tinha andado pouco quando escutou tiros e se 
meteu num barbeiro e levantou a câmara e olhou 
por aqui e  apertou  ali .
Na barbearia tinham baleado o gângester
José Anastasia , que estava  fazendo a barba . 
E aquela foi a primeira foto da vida profissional 
de Chinolope.
Pagaram uma fortuna por ela. 
A foto era uma façanha. 
Chinolope tinha  conseguido fotografar a morte.

A morte estava ali . . .   não no morto , nem no matador. 

A  morte estava na cara do barbeiro que a viu.






Eduardo  Galeano  _  O  livro  dos  abraços _
Imagem _  Loui  Jover _

4 comentários:

  1. Olá Maria ,

    Na expressão de um rosto fotografado pode estar até a imagem da morte ....

    Um Abraço
    Luis Sousa

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  2. Há instantâneos que perduram...

    Um beijinho :)

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  3. Olá Maria ,
    Passando para lhe desejar um Bom Fim de semana :)
    Um Abraço
    Luis Sousa

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  4. Muito interessante
    esse seu blog.
    Ja seguindo vou ler por aqui
    e depois volto para comentar.
    Enquanto isso
    aguardo sua visita la
    no Espelhando.
    Bjins
    CatiahoAlc.

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