terça-feira, fevereiro 05, 2013
sábado, fevereiro 02, 2013
Côr de amar
Quando se deseja realmente conquistar um
coração , é preciso que antes já tenhamos
conseguido conquistar o nosso , é preciso
que ele já tenha sido explorado nos mínimos
detalhes , que já se tenha conseguido
conhecer cada cantinho , entender cada
espaço preenchido e aceitar cada espaço
vago .
Fernando Luis Veríssimo
Neil MacDonell
Ou seja . . .
a maior dificuldade está em saber amarmo - nos !
sábado, janeiro 26, 2013
Côr de . . . polémico ?!
Bichos
polémicos sem o querer , porque sábios, mas inquietantes , talvez por isso
.
Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos.
O homem quer o bicho espojado , submisso , cheio de súplica , temor, reverência , obediência . O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
Já viu gato amestrado , de chapeuzinho ridículo , obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele ? Não !
Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos.
O homem quer o bicho espojado , submisso , cheio de súplica , temor, reverência , obediência . O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
Já viu gato amestrado , de chapeuzinho ridículo , obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele ? Não !
Ele só aceita
uma relação de independência e afeto.Ele só admite afeto com troca e respeito
pela individualidade.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte.Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Sim , o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas , quando o sente , é capaz de amar muito. Discretamente , porém sem derramar-se .
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte.Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Sim , o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas , quando o sente , é capaz de amar muito. Discretamente , porém sem derramar-se .
Quem não se
relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece , então
, como ameaça , porque representa essa relação precária do homem com o (próprio)
mistério .
O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além , por dentro e pelo avesso . Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto , guardado e nem nós queremos , sabemos ou podemos ver . Por isso , quando surge nele um ato de entrega , de subida no colo ou manifestação de afeto , é algo muito verdadeiro , que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe , pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente , o gato sente. Se há solidão , ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós) . Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos , ele se afasta . Nada diz , não reclama . Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós.
É uma chance de meditação permanente a nosso lado , a ensinar paciência , atenção , silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge , sim , refinado , silencioso , meditativo e sábio monge , a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado , já conhecido e trilhado.
O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além , por dentro e pelo avesso . Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto , guardado e nem nós queremos , sabemos ou podemos ver . Por isso , quando surge nele um ato de entrega , de subida no colo ou manifestação de afeto , é algo muito verdadeiro , que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe , pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente , o gato sente. Se há solidão , ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós) . Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos , ele se afasta . Nada diz , não reclama . Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós.
É uma chance de meditação permanente a nosso lado , a ensinar paciência , atenção , silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge , sim , refinado , silencioso , meditativo e sábio monge , a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado , já conhecido e trilhado.
O gato é uma
lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e
profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os
gatos. Bulhosos os irritam. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.
Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o
gato ! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de
respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante .O
gato sai do sono para o máximo de ação , tensão e elasticidade num segundo.
Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual
ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia , equilíbrio , desempenho muscular. Lição de salto . Lição de silêncio . Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças , sem veemências , sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta à disposição do homem.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia , equilíbrio , desempenho muscular. Lição de salto . Lição de silêncio . Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças , sem veemências , sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta à disposição do homem.
Artur de Távola
imagem _ net _
domingo, janeiro 20, 2013
Côr de roubos e desvios
Paddy ganhou dinheiro nas corridas de cavalos
e decide deleitar - se com uma refeição num
restaurante de luxo . Enquanto o jantar lhe é
é servido repara que as colheres são de prata .
E por isso coloca uma das colheres no bolso ,
levanta - se e vai - se embora .
Quando está quase a chegar à porta , o
empregado vai atrás dele e diz - lhe . . .
_ Queira desculpar , mas . . . e a conta ?
Paddy volta - se e diz . . .
_ Qual colher ?
A sua mente está totalmente concentrada na
colher que acabou de roubar .
Não ouve a palavra conta , ouve a palavra
colher .
É natural . Estamos tão cheios de colheres
roubadas que , quando nos apresentam a conta ,
reagimos automaticamente . . . qual colher ?
Osho _ Saia da sua frente _
Jeanne Illenye
Entretanto , pergunto - me . . .
esta reação acontecerá com todos os que se
que se apoderam dos bens alheios , ou
apenas com os que se contentam com uma
colher de prata ?
sábado, janeiro 12, 2013
Côr de muito menos
sábado, janeiro 05, 2013
Côr de a tal glândula . . .
Uma
das mais bonitas histórias da América Latina conta que os deuses maias fizeram várias tentativas de criar a mulher e o homem , porque estavam muito entediados e queriam ter com quem conversar . Então , fizeram de diferentes formas e fracassaram , era um desastre , até que encontraram a forma . . .
de que a gente fosse a gente , feitos de milho . Os deuses maias nos fizeram de milho e por isso temos todas as cores , como o milho . Não o milho transgênico , nem o químico que nos estão vendendo agora.
Mas , antes de chegar no milho , os deuses maias tentaram , por exemplo , fazer a mulher e o homem de madeira e ficaram perfeitinhos , mas tinham um inconveniente gravíssimo . . . não respiravam, e como não respiravam, não tinham palavras para dizer, porque da boca não saía nada.
E eu sempre pensei se não respiravam , também não tinham desalento . Para ter fôlego , é preciso ter desalento . Para você se levantar tem que saber cair , para ganhar tem que saber perder . E temos que saber que assim é a vida e que você cai e se levanta muitas vezes , e que alguns caem e não se levantam nunca mais , geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar , as pessoas que mais dor sentem ao viver , as pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis.
Em contra partida , esses filhos da p*** que se dedicam a atormentar a humanidade vivem vidas longuíssimas , não morrem nunca , porque não têm uma glândula , que na verdade é bem rara , e que se chama consciência .
Eduardo Galeano
Paul Cadmus
terça-feira, janeiro 01, 2013
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