sexta-feira, maio 06, 2016
Côr de resto de saudade
Ficara , ainda um resto de saudade
na gelada memória , que apagava
o sulco dos seus passos tresmalhados
enterrados na noite que avançava
e em soluços trémulos chamava ,
os pássaros perdidos , na névoa que chegava .
Ficara um cheiro a ranço , na toalha encardida
e um perfume estagnado , nas pétalas caídas
esquecidas ao acaso sobre a mesa despida .
Ficara a sombra breve , da ternura estafada
e a rosa moribunda , na floreira rachada .
Puri Fontes [ poemas de veneno e asas frias ]
imagem _ rafal olbinski_
domingo, maio 01, 2016
Côr de 1º de Maio
A revolta de Haymarket
aconteceu no dia 4 de Maio em 1886 na cidade de Chicago , e é considerada uma das origens das comemorações internacionais do "1º de Maio" .
Durante uma manifestação pacífica a favor do regime de 8 horas de trabalho , uma bomba estourou junto ao local onde policiais estavam posicionados , matando um imediatamente e ferindo outros 7 que morreram mais tarde. A policia imediatamente abriu fogo contra os manifestantes , ferindo dezenas e matando onze.
Os oito organizadores da manifestação , foram presos
e incriminados pelo acontecimento, mesmo na ausência de evidências que os conectassem com o lançamento da bomba. Uma grande campanha foi organizada para salvar os mártires de Chicago . Porém , quatro deles foram executados, um cometeu suicídio antes do enforcamento, e os três remanescentes receberam sentenças de prisão que foram revogadas em 1893 quando o governador concluiu que todos os oito acusados eram inocentes.
Em Portugal ,
Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia , ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado.
O 1.º de Maio adquiriu também características de acção de massas. Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da industria .
Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Nesse período, apesar das proibições
e da repressão, houve manifestações dos pescadores, corticeiros , telefonistas, bancários, trabalhadores da Carris .
No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.
Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, que tiveram o seu grande impulso
no 1.º de Maio de 62. Mais de 200 mil operários agrícolas, que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.
Claro que o 1.º de Maio mais extraordinário realizado até hoje , em Portugal, com direito a destaque certo na história, foi o que se realizou oito dias depois do 25 de Abril de 1974.
Oxalá que este dia jamais se transforme em , apenas , mais um feriado . . .
[ consulta de Wikipédia ]
quinta-feira, abril 28, 2016
Côr de Mário de Sá Carneiro
Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas , eu hesito ,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.
Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.
A minh'alma nostálgica de além ,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto ,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a fôrça de sumir também.
Porque eu reajo . A vida , a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma ,
Correr no azul á busca da beleza.
É subir, é subir àlem dos céus
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.
É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal .
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.
É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada ,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.
Ser coluna de fumo, astro perdido,
Forçar os turbilhões aladamente,
Ser ramo de palmeira, água nascente
E arco de ouro e chama distendido...
Asa longinqua a sacudir loucura,
Nuvem precoce de subtil vapor ,
Ânsia revolta de mistério e olor,
Sombra , vertigem, ascensão - Altura !
E eu dou-me todo neste fim de tarde
À espira aérea que me eleva aos cumes.
Doido de esfinges o horizonte arde,
Mas fico ileso entre clarões e gumes!...
Miragem rôxa de nimbado encanto
Sinto os meus olhos a volver-se em espaço!
Alastro, venço, chego e ultrapasso;
Sou labirinto, sou licorne e acanto.
Sei a distância, compreendo o Ar;
Sou chuva de ouro e sou espasmo de luz ,
Sou taça de cristal lançada ao mar,
Diadema e timbre, elmo real e cruz...
O bando das quimeras longe assoma...
Que apoteose imensa pelos céus !
A côr já não é côr , é som e aroma !
Vem-me saudades de ter sido Deus ...
Ao triunfo maior, avante pois !
O meu destino é outro , é alto e é raro.
Únicamente custa muito caro ...
A tristeza de nunca sermos dois . . .
Mário de Sá Carneiro
imagem _ Almada Negreiros _
segunda-feira, abril 25, 2016
Côr de 25 de Abril
Os cravos ________________________________________________ continuam vermelhos _________________________________ as suas sementes são guardadas anualmente_____________________________________________________
e
sempre que possível , é enviado alecrim para o Brasil !
sábado, abril 23, 2016
Côr de Livro
Solidão ?
Raramente .
Tenho uns amigos a que chamo _______________________ livros !
imagem _ wolstenholme jonathan _
sábado, abril 16, 2016
Côr de arvore da vida
Olha, meu filho,
esta é a árvore da vida .
Crescerás com ela.
Às vezes
nos seus ombros colherás
lágrimas em lugar de frutos ,
mas
é nos ramos mais altos
que o sonho
mora ,
e
a liberdade
floresce.
Albano Martins
imagem _ Steven Kenny _
sábado, abril 09, 2016
Côr de fome
Atenção , muita atenção . . .
A falta de amor é grande . . .
estamos a morrer à fome ,
uns , de pão , outros , a maior parte ,
de abraços .
imagem _ Claude Théberge
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