A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

quinta-feira, maio 26, 2016

Côr de caçadas ?!


Até ,
que  os  leões  tenham  os  seus próprios 
historiadores ,
as
estórias  de  caçadas  continuarão  enaltecendo
o caçador .






imagem _  Jurek  Zamoyski _

domingo, maio 22, 2016

Côr de o sempre abraço


Não faz muito que foram descobertos, na sequidão
do que antigamente foi a  praia de Zumpa, no Equador .

E aqui estão , a todo sol ,  para quem quiser vê-los . . .
um homem e uma mulher descansam  abraçados,
dormindo amores , há uma  eternidade.

Escavando o cemitério dos índios, uma arqueóloga
encontrou este par de  esqueletos de amor atados.
Há oito mil anos que os amantes de Zumpa  cometeram
a irreverência de morrer sem se desprender , e qualquer
um que se  aproxime pode ver que a morte não lhes
provoca a menor preocupação .
É surpreendente sua esplêndida formosura ,tratando-se
de ossos tão feios no  meio de tão feio deserto, pura
aridez  e cinzentice e surpreendente  modéstia .

Estes amantes , adormecidos no vento , parecem não
ter percebido que eles têm mais mistério e grandeza
que  as pirâmides de Teotihuacán ou o santuário de
Machu Picchu ou as cataratas do Iguaçu.





Eduardo  Galeano _  Mulheres _
imagem _  net  _

sábado, maio 14, 2016

Côr de recordar



Recordar . . .  . . .
                                 do latim  re-cordis

Tornar
  _______________ a  __________________
passar   pelo                                                       Coração









imagem _  esculturas de  Beatriz  Cunha _

sexta-feira, maio 06, 2016

Côr de resto de saudade













Ficara , ainda   um  resto  de  saudade
na  gelada  memória ,  que  apagava
o  sulco  dos  seus  passos  tresmalhados
enterrados  na  noite  que  avançava
e  em  soluços  trémulos  chamava ,
os  pássaros  perdidos ,  na  névoa  que  chegava .
Ficara  um  cheiro  a  ranço ,  na  toalha  encardida
e  um  perfume  estagnado ,  nas  pétalas  caídas
esquecidas  ao  acaso  sobre  a  mesa despida .
Ficara  a  sombra  breve ,  da  ternura  estafada
e  a  rosa  moribunda ,  na  floreira  rachada . 






Puri   Fontes  [  poemas de veneno e asas frias ]
imagem  _ rafal olbinski_

domingo, maio 01, 2016

Côr de 1º de Maio















A  revolta  de  Haymarket 
aconteceu no dia 4 de Maio em  1886 na cidade de  Chicago , e é considerada uma das origens das comemorações internacionais do "1º de Maio" .  
Durante uma manifestação pacífica a favor do regime de 8 horas de trabalho , uma  bomba estourou junto ao local onde policiais estavam posicionados , matando um imediatamente e ferindo outros 7 que morreram mais tarde. A  policia imediatamente abriu fogo contra os manifestantes , ferindo dezenas e matando onze. 
Os oito organizadores da manifestação ,  foram presos 
e incriminados pelo acontecimento, mesmo na ausência de evidências que os conectassem com o lançamento da bomba. Uma grande campanha foi organizada para salvar os mártires de Chicago . Porém , quatro deles foram executados, um cometeu suicídio antes do enforcamento, e os três remanescentes  receberam  sentenças de prisão que foram revogadas em 1893 quando o governador concluiu que todos os oito acusados eram inocentes.

Em  Portugal ,
Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia , ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. 
O 1.º de Maio adquiriu também características de acção de massas. Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio  e  da  industria .

Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial  são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Nesse período, apesar das proibições 
e da repressão, houve manifestações dos pescadores,  corticeiros ,  telefonistas,  bancários,  trabalhadores da Carris .
No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.
Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, que tiveram o seu grande impulso 
no 1.º de Maio de 62. Mais de 200 mil operários agrícolas, que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.

Claro que o 1.º de Maio mais extraordinário realizado até hoje , em Portugal, com direito a destaque certo na história, foi o que se realizou oito dias depois do 25 de Abril de 1974. 



Oxalá   que   este   dia   jamais  se   transforme   em  , apenas ,  mais   um  feriado   . . .



[ consulta de  Wikipédia  ]

quinta-feira, abril 28, 2016

Côr de Mário de Sá Carneiro





















 Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas , eu hesito ,
E detenho-me às vezes na torrente 

Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.

A minh'alma nostálgica de além ,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto ,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a fôrça de sumir também.

Porque eu reajo . A vida , a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma ,
Correr no azul á busca da beleza.

É subir, é subir àlem dos céus
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal .
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada ,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.

Ser coluna de fumo, astro perdido,
Forçar os turbilhões aladamente,
Ser ramo de palmeira, água nascente
E arco de ouro e chama distendido...

Asa longinqua a sacudir loucura,
Nuvem precoce de subtil vapor ,
Ânsia revolta de mistério e olor,
Sombra , vertigem, ascensão - Altura
!

E eu dou-me todo neste fim de tarde
À espira aérea que me eleva aos cumes.
Doido de esfinges o horizonte arde,
Mas fico ileso entre clarões e gumes!...

Miragem rôxa de nimbado encanto 

Sinto os meus olhos a volver-se em espaço!
Alastro, venço, chego e ultrapasso;
Sou labirinto, sou licorne e acanto.

Sei a distância, compreendo o Ar;
Sou chuva de ouro e sou espasmo de luz ,
Sou taça de cristal lançada ao mar,
Diadema e timbre, elmo real e cruz...

O bando das quimeras longe assoma...
Que apoteose imensa pelos céus
!
A côr já não é côr , é som e aroma
!
Vem-me saudades de ter sido Deus ...

Ao triunfo maior, avante pois
!
O meu destino é outro , é alto e é raro.
Únicamente custa muito caro ...
A tristeza de nunca sermos dois . . .








Mário de Sá  Carneiro 
imagem _  Almada  Negreiros _