sábado, abril 29, 2017
terça-feira, abril 25, 2017
Côr de 25 de Abril
É por dentro desta selva
desta raiva deste grito
desta toada que vem
dos pulmões do infinito
que em todos vejo ninguém
revejo tudo e redigo . . .
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe .
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu .
José Carlos Ary dos Santos [ pequenos excertos de dois poemas ]
domingo, abril 23, 2017
sábado, abril 22, 2017
Côr de pássaros proíbidos
Numa prisão do Uruguai …
Os presos políticos não podem falar sem permissão, assobiar, cantar, caminhar
rápido nem cumprimentar outro preso.
Tampouco podem desenhar, nem receber desenhos de mulheres grávidas, casais, borboletas, estrelas e pássaros .
Didaskó Pérez, professor da escola, torturado e preso por questões ideológicas,
recebe no domingo a visita de sua filha, Milay, de 5 anos .
A filha traz - lhe um desenho de pássaros. Os sensores destroem - no à entrada
da prisão.
No domingo seguinte, Milay traz - lhe um desenho de árvores. As árvores não
estão proíbidas, e o desenho é liberado .
Didaskó elogia - a e pergunta o que são os pequenos círculos que aparecem nas
copas das árvores , entre os ramos .
São laranjas ? Que frutas são ?
A filha fá - lo calar . . . ssshh.
E , em segredo, explica lhe . . .
Não vês que são olhos ?
Os olhos dos pássaros que te trago às escondidas ?
Eduardo Galeano
imagem _ Rafal Olbinski _
terça-feira, abril 18, 2017
Côr de ... desesperadamente
. . . E depois há pouca sobriedade nas palavras ,
as pessoas falam desesperadamente . . .
Rui Nunes _ aqui _
imagem _ Daniel Adel _
sábado, abril 15, 2017
Côr de . . . tudo começa
Ao
adoptarmos , a atitude correta , chegaremos ao verbo mágico graças ao qual
entramos em comunicação não só com os humanos, mas também com tudo
que é vida .
Atitude correta ?!
Encontrala- la- emos aprendendo a cultivar o respeito por tudo o que existe .
É fácil ?
Não !
Respeitar é dificílimo . . . e é aí que tudo começa . . .
imagem _ Gregory Colbert _
quinta-feira, abril 13, 2017
Côr de . . . as algemas
Na cadeia os bandidos presos !
O seu ar de contemplativos !
Que é das feras de olhos acesos ?!
Pobres dos seus olhos cativos .
Passeiam mudos entre as grades ,
Parecem peixes n'um aquario .
Campo florido das Saudades
Porque rebentas tumultuário ?
Serenos... Serenos... Serenos...
Trouxe-os algemados a escolta .
Extranha taça de venenos .
Meu coração sempre em revolta .
Coração, quietinho. . . quietinho. . . quietinho . . .
Porque te insurges e blasfemas ?
Pschiu . . . Não batas . . . Devagarinho . . .
Olha os soldados , as algemas !
Camilo Pessanha _ in Clepsidra _
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