A _ cor _ dar , é preciso !


sexta-feira, julho 19, 2019

Côr de não te rendas




























Procura acrescentar um côvado 
à tua altura. Que o mundo está 
à míngua de valores 
e um homem de estatura justifica 
a existência de um milhão de pigmeus 
a navegar na rota previsível 
entre a impostura e a mesquinhez 
dos filisteus. 
Ergue-te desse oceano 
que dócil se derrama sobre a areia 
e busca as profundezas, o tumulto 
do sangue a irromper na veia 
contra os diques do cinismo 
e os rochedos de torpezas 
que as nações antepõem a seus rebeldes .

Não te rendas jamais, nunca te entregues, 
foge das redes, expande teu destino. 
E caso fiques tão só que nem mesmo um cão 
venha te lamber a mão, 
atira-te contra as escarpas 
de tua angústia e explode 
em grito, em raiva, em pranto.

Porque desse teu gesto 
há de nascer o Espanto.








Eduardo Alves da Costaimagem _   Afarin   Sajedi  _

terça-feira, julho 16, 2019

Côr de ... e assim vai a humanidade !


   

            Casal   beijando - se   depois  de  ter   morto   o  leão  .













                Imagem    retirada   do  Jornal   de  Notícias  ,  onde  se  encontram   mais      pormenores  .

Côr das excepções .

Quando  
"  for  grande " quero ser  este  homem  . . .








































Tinha   agendado   esta   publicação   para  hoje . 

imagem  _   net  _

domingo, julho 14, 2019

Côr de chamo casa à saudade





Musica , Armandinho ,  arranjo Pedro Joia
Letra , Tiago Torres Silva

Côr de outro coração



























Ante  o  frio
faz  com  o  coração
o  contrário  de  que  fazes  com   o  corpo...
despe - o .
Quanto  mais  nu ,
mais  ele  encontrará
o  único  agasalho  possível ...
Um  outro  coração .









Conselho  do  Avô ,  Mia   Couto _   A  chuva  pasmada  _   

Imagem _  Kate  MacDawel  _

quarta-feira, julho 10, 2019

Côr de mãos

























Não  
escutemos   sómente  as  línguas , 
interroguemos  as   mãos  .

Elas  não  conseguem   mentir ,  mesmo  refugiadas  na gruta recôndita das algibeiras.



Gosto de mãos e  de sentir a sua energia  e  a estória que  atravessam  no momento .

Há  as tristes como flores murchas ,  e  as cerradas  a  comprimir  a raiva  e  a  dor .
Há  as  erguidas como muralhas  .  
Há   as  que   dizem  em  silêncio  .

Há as que mesmo  à distância  seguram  quem  está  prestes a tropeçar,  mãos  aconchegantes , e  que  juntam  as  suas para beberem  a  tristeza  dos  outros .

  


Já senti muitas mãos nas minhas. E, com elas , consegui tocar  o  impalpável  .





Nunca esqueci as mãos das pessoas que amei. 
Sinto algumas como se fossem minhas.




imagem  René  Magritte _

domingo, julho 07, 2019

Côr de musica que gosto


Côr de grito de todos nós



























Edvard    Munchc   ouviu  o  céu  gritar .
O   crepúsculo  já  tinha  passado ,  mas  o  sol   persistia ,
em  línguas  de  fogo  que  subiam  do  horizonte ,  quando  o  céu   gritou .
Munch  pintou  esse  grito .
Agora ,   quem   vê  o  quadro  tapa  os  ouvidos .
O  novo  ano  nascia   a  gritar  .




Eduardo _  Galeano _  Espelhos 
imagem _   Edvard  Munchc  _



E  a  dor  que  provoca  o grito  continua ,   mais  forte  .
E  para  quê   tapar  os  ouvidos ?  
Ela  está  dentro  de  todos  nós    . . .    ou  devia  !

Côr de João Gilberto


quinta-feira, junho 27, 2019

Côr de altruísmo







Não 
haja medo que a sociedade se desmorone sob um excesso de altruísmo. 

                                  Não há perigo desse excesso.











Fernando  Pessoa _ Aforismo  e  Afins _
Imagem _ Adonna  Khare _

domingo, junho 16, 2019

Côr de musica que gosto


Côr de as formigas


























Tracey Hill era menina num povoado de Connecticut, e  divertia - se  com diversões próprias de sua idade, como qualquer outro doce anjinho de Deus no estado de Connecticut ou em qualquer outro lugar desde planeta.
Um dia, junto com seus companheiros de escola, Tracey  pôs - se  a atirar fósforos acesos num formigueiro. 

Todos desfrutaram muito daquele sadio entretenimento infantil .
Tracey, porém, ficou impressionada com uma coisa que os outros não viram, ou fizeram como se não vissem, mas que  a deixou paralisada e  lhe  deixou , para sempre, um sinal na memória . . .  

frente ao fogo, frente ao perigo, as formigas separavam-se em casais, e assim, de duas em duas, bem juntinhas, esperavam a morte.











Eduardo  Galeano  _  O livro  dos   Abraços _

imagem _Piero Fornasetti

sábado, junho 08, 2019

Côr de ensina - me



Diego não conhecia o mar. 
O pai , Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. 
Viajaram para o Sul. Ele , o mar , estava do outro lado das dunas altas, esperando. 
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia , depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. 
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor , que o menino ficou mudo de beleza. 
E quando finalmente conseguiu falar , tremendo , gaguejando , pediu ao pai . . . 
__ Pai , me ensina a olhar !  _





Eduardo   Galeano  _  O  livro  dos  abraços _
imagem  _   Massimo  Della  Matta  _



Foi   este   o    meu   primeiro   encontro   com   Eduardo  Galeano .