sábado, fevereiro 13, 2016

Côr de uivo



Há 
noites ,  quando  os  lobos se  calam  ,  escuta -se  o  uivo  do  vento , misturado
com  as   vozes  dos  que  com  ele  falam  , dos visionários , dos  excluídos , dos rejeitados , dos  apelidados  de  loucos , dos que ainda acreditam  nos  sentimentos puros , dos  que  ainda se comovem , dos que  ainda sonham , dos que são  julgados e  desprezados , dos heróis esquecidos , dos vagabundos , dos que não  têm  medo  de dizer o que  pensam ,  enfim , dos homens de coração  .

 
Mas   só   quando  o  vento  uiva ,  e  há   luar .


3 comentários:

  1. Gostei de ler, Maria.
    (Fartei-me de procurar uma imagem para o texto que publiquei hoje, e esta, se a visse, provavelmente seria escolhida)

    Um beijinho :)

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  2. Belissimo texto, amiga!

    Esperemos que os uivos se oiçam e façam tremer os Senhores do Mundo!

    Abraço estreito, Maria.

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  3. Não sei se me inquieta mais o uivar dos lobos (ouvi poucas vezes e era criança) ou o uivar do vento.
    Tenho uma janela que se ficar entreaberta uiva que se farta. Quando ela uiva e me vou inteirar da tempestade quase sempre vejo que é ilusão. A tempestade não é mais do que uma fresta por cerrar.

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