quarta-feira, novembro 09, 2016

Côr de casa vazia
















Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. 
Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. 
Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas. 

Não quero possuir a terra mas ser um com ela. 
Não quero possuir nem dominar porque quero ser  . . .  esta é a necessidade.
Com veemência e fúria defendo a fidelidade ao estar terrestre. 

O mundo do ter perturba e paralisa e desvia em seus circuitos o estar, o viver, o ser. 
Dai-me a claridade daquilo que é exactamente o necessário. 
Dai-me a limpeza de que não haja lucro. 
Que a vida seja limpa de todo o luxo e de todo o lixo. 


Chegou o tempo da nova aliança com a vida. 







Sofia   de  Melo  Breyner
imagem  _  Andrew   Wyen  _

5 comentários:

  1. E como continua actual a necessidade de se fazer nova aliança com a Vida!

    Fraterno abraço, Maria

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  2. E como seria bom fazermos essa aliança com a vida.
    Excelente escolha poética.
    Tem um bom fim de semana, querida amiga Maria.
    Beijo.

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  3. Um texto pra refletir.
    Gostei muito.
    Ótima semana!
    Abraço grande!
    Blog da Smareis

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  4. Mas que linda cor, Maria! E a vida só tem valor se dermos mais importância ao ser, à simplicidade, ao ter o suficiente. E não podemos demorar a encarar a vida desta maneira, porque o tempo não pára, a vida não se compadece e segue sem esperar pela nossa decisão. Comecemos já a esclher esta cor, porque só assim poderemos dizer que vale a pena viver. Obrigada, amiga, pelo belo momento e desejo que a vida te sorria, dando-te saúde, principalmente. Beijinhos
    Emilia

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  5. Ontem a Sophia já sabia. Hoje, a iminência da catástrofe entra-nos pelos olhos dentro. Amanhã, que será?

    Um beijinho, Maria :)

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