A _ cor _ dar , é preciso !


Mostrar mensagens com a etiqueta Adélia prado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adélia prado. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 07, 2018

Côr de sono profundo




Eu quero uma licença de dormir ,
perdão para descansar horas a fio ,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho .
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies ,
a graça de um estado .

Semente.
Muito mais que raízes .











Adélia Prado 
 imagem  _  Francine Van Hove  _

terça-feira, junho 05, 2018

Côr de agradecimento



















Louvadas
sejam ,  também  ,  as   mãos ,
de   quem  o  colocou , nas  minhas .
Amém !







Adélia  Prado  _    Bagagem  ,  pagina  11    _
imagem  _   Adélia   Prado  _

segunda-feira, julho 31, 2017

Côr de amor roxo





























O  amor  me  fere  é  debaixo  do  braço ,
de  um  vão  entre  as  costelas.
Atinge  meu  coração  é  por  esta  via  inclinada.
Eu  ponho  o  amor  no  pilão  com cinza
e  grão  de  roxo e  soco.
Macero  ele , faço  dele  cataplasma
e  

ponho sobre  a  ferida.




 



Adélia   Prado
imagem  _   Julio  Pomar  _

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Côr de ainda não sei














Quando fui ferida ,
por Deus , pelo diabo , ou por mim mesma ,
_ ainda não sei _
percebi que não morrera, após três dias,
ao rever pardais
e moitinhas de trevo.
Quando era jovem ,
só estes passarinhos,
estas folhinhas bastavam
para eu cantar louvores ,
dedicar óperas ao Rei .
Mas um cachorro batido
demora um pouco a latir ,
a festejar seu dono
_ ele, um bicho que não é gente _
tanto mais eu que posso perguntar . . .
por que razão me bates?


Por isso , apesar dos pardais e das reviçosas folhinhas
Uma tênue sombra ainda cobre meu espírito.
Quem me   feriu ,  perdoe-me.






Adélia  Prado  _  Poesia  reunida  _
imagem  _  Igor Fedorov