A _ cor _ dar , é preciso !


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segunda-feira, outubro 05, 2015

Côr desta raça















Somos todos de aqui.
 
Basta-nos a pátria
que  uma  tarde  de domingo  nos  consente
entre  folhas  de  outono  e  frases  de  abandono
/
Somos  todos  da  raça  dos  mortos
ou  vivos  mais  além
Mensagens  de  outra  pátria  não  as  traz
arauto  algum  que  o  nosso  tempo  vestisse




Ruy  Belo
imagem _  Wieslaw  Walkuski  _

segunda-feira, setembro 21, 2015

Côr de país . . .

 


No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente

Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente  tem  saúde  e  assistência  

cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol



O  português  paga  calado  cada  prestação
Para  banhos  de  sol  nem  casa  se  precisa
E  cai-nos  sobre  os  ombros  quer  a  arma  quer a  sisa
e  o  colégio  do  ódio  é  a  patriótica  organização

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?

Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz  do  dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer







Ruy  Belo  [  todos  os  poemas  ]


domingo, maio 10, 2015

Côr de vais ver




















Cruzamos
os  nossos   olhos  em  alguma   esquina ,
demos   civicamente   os   bons   dias  ,
chamar - nos -  ão ,  vais  ver ,  contemporâneos  .






Ruy Belo
imagem  _   Herbert  Bayer _ 

domingo, abril 12, 2015

Côr de . . . mas país




Plantados como árvores no chão
ao alto ergueis os vossos troncos nus
e o fruto que produz a vossa mão
vem do trabalho e transparece a luz


Nenhum passado vale o dia-a-dia
Sonho só o que vós consentis
Verdade a que de vós só irradia  , 

Portugal  não  é  pátria  ,  mas  país .









Ruy  Belo 

imagem _  Arsen  Roje _