A _ cor _ dar , é preciso !


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terça-feira, março 28, 2017

Côr de . . . que somos



















Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama , caminhamos
Por cidades ,
Por nuvens
E desertos .
Ao vento semeamos o que os homens não querem .
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem .

Da noite que nos gera , e nós amamos , 
só os astros trazemos.

A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos ,
Mas   que somos.








José  Carlos  Ary  dos   Santos
imagem _   Tomasz  A .  Kopera   _

terça-feira, dezembro 13, 2016

Côr de . . . uma vida amanhecer .















Tu que dormes à noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão



E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão



Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser


Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

 
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão



E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão



Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser


Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher. 








José  Carlos  Ary  dos   Santos
imagemJohn Everett Millais _

sábado, novembro 15, 2014

Côr de mãos de vidro






























Das tuas mãos de vidro, carregadas
De jóias tilitantes e doentes,
Das palavras que trazes afogadas ,
Das coisas que não dizes mas entendes . . .

Do teu olhar virado às madrugadas
De fantásticos e exóticos orientes,
Do teu andar de tule, das estocadas
Dos gestos que não fazes mas que sentes  . . .









José  Carlos  Ary  dos  Santos

segunda-feira, julho 14, 2014

Côr de amigo





















Por  ti  falo. 
E  ninguém  sabe. 
Mas  eu  digo  . . .
meu irmão    minha amêndoa    meu amigo
meu tropel de ternura    minha casa
meu jardim de carência    minha asa. 









José  Carlos  Ary  dos  Santos
imagem _  Alexander  Bourganov _