Não
escutemos sómente as línguas ,
interroguemos as mãos .
Elas não conseguem mentir , mesmo refugiadas na gruta recôndita das algibeiras.
Gosto de mãos e de sentir a sua energia e a estória que atravessam no momento .
Há as tristes como flores murchas , e as cerradas a comprimir a raiva e a dor .
Há as erguidas como muralhas .
Há as que dizem em silêncio .
Há as que mesmo à distância seguram quem está prestes a tropeçar, mãos aconchegantes , e que juntam as suas para beberem a tristeza dos outros .
Já senti muitas mãos nas minhas. E, com elas , consegui tocar o impalpável .
Nunca esqueci as mãos das pessoas que amei.
Sinto algumas como se fossem minhas.
Sinto algumas como se fossem minhas.
imagem _ René Magritte _
