Quando fui ferida , por Deus , pelo diabo , ou por mim mesma , _ ainda não sei _ percebi que não morrera, após três dias, ao rever pardais e moitinhas de trevo. Quando era jovem , só estes passarinhos, estas folhinhas bastavam para eu cantar louvores , dedicar óperas ao Rei . Mas um cachorro batido demora um pouco a latir , a festejar seu dono _ ele, um bicho que não é gente _ tanto mais eu que posso perguntar . . . por que razão me bates? Por isso , apesar dos pardais e das reviçosas folhinhas Uma tênue sombra ainda cobre meu espírito. Quem me feriu , perdoe-me.
Adélia Prado _ Poesia reunida _ imagem _ Igor Fedorov
_ Então rapariga , como vai o olho ? _ _ Bem . _ Olha , agora se arranjares outro problema muda de lado . . . sempre esquerdo _ Melhoras para o olho e pé . Amanhã telefono . _ Trinta minutos depois quem telefonou foi a L . A sua voz estava estranha . _ Que aconteceu ? _ Fez -se uns minutos de silêncio , até que ela com a voz cheia de lágrimas . . . _ O nosso Luís deixou -nos _ Fiquei sem fala , na verdadeira acepção do termo . Telefonei mais tarde . E o que se diz quando o nosso melhor e antigo amigo morre ? E quem me chamará rapariga e a quem chamarei amiguínho ? Quem me obrigará a ler peças de teatro , para dar a opinião ? [ e a aflição que sentia , quando não gostava ] . Apesar de acreditarmos que continuas cá e que em breve nos encontraremos , ainda me sinto incrédula quanto à tua ausência , e as saudades já se estão a formar . Sei que não te faltará Luz . . . aqui vai uma das tuas musica preferídas , embrulhada no abraço que não foi dado .
NATAL Símbolo de luz transmutadora da escuridão , motor da vida , no renascer incessante. O abraço do homem a toda a Mãe Natureza. O inesperado na rotina , a essência no Homem.
Um abraço a todos , e , se possível , um pensamento Natalino todos os dias ,
Os versos que te digam a pobreza que somos o bolor nas paredes deste quarto deserto os rostos a apagar - se no frémito do espelho e o leito desmanchado o peito aberto a que chamaste amor .