A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

domingo, dezembro 17, 2017

Côr de natividade



















Foi numa cama de folhelho,
entre lençóis de estopa suja
num pardieiro velho.

Trinta horas depois a mãe pegou na enxada
e foi roçar nas bordas dos caminhos
manadas de ervas
para a ovelha triste.
E a criança ficou no pardieiro
só com o fumo negro das paredes
e o crepitar do fogo,
enroscada num cesto vindimeiro,
que não havia berço
naquela casa.
E ninguém conta a história do menino
que não teve
nem magos a adorá-lo,
nem vacas a aquecê-lo,
mas que há-de ter
muitos reis da Judeia a persegui-lo
que não terá coroas de espinhos
mas coroas de baionetas
postas até ao fundo do seu corpo.

Ninguém há-de contar a história do menino.
Ninguém lhe vai chamar o Salvador do Mundo.




Alvaro   Feijó 
imagem  _    net  _

sábado, dezembro 16, 2017

Côr de não vou




Eu tinha as chaves da vida e não abri
As portas onde morava a felicidade .
Eu tinha as chaves da vida e não vivi
A minha vida foi toda uma saudade .
E tanta ilusão que tive e foi perdida
E tanta esperança no amor foi destroçada
Não sei porque me queixo desta vida
Se não quero outra vida para nada .

 
Se foi para isto que nasci
Se foi para isto que hoje sou
Se foi só isto que mereci
Não vou , não vou .
Podem passar bocas pedindo ,
Olhos em fogo tudo acabou ,
Pode passar o amor mais lindo ,
Não vou , não vou .

Eu tinha as chaves da vida e fui roubada ,
Mataram dentro de mim toda a poesia ,
Deixaram só tristeza sem mais nada ,
E a fonte dos meus olhos que eu não queria .






Letra  _   Julio  de  Sousa  _
Musica  _Moniz  Pereira  _

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Côr de viver por curiosidade



























A
palavra  entusiasmo  provém  da   antiga  Grécia
e  significa  ter  os  deuses  dentro .
Contudo , quando  se  aproxima  alguma  cigana 
e  me  pega  a  mão  para  me  ler  o  destino   ,  eu 
pago - lhe o   dobro  para  que  me  deixe   em  paz  . . .
não  conheço  o  meu   destino  nem  quero conhecê - lo .
Vivo  e   sobrevivo ,  por  curiosidade .
É   muito   simples  .  
Não  sei ,  nem  quero  saber ,  qual  é  o  futuro  
que  me  espera .
O   melhor  sobre   o  meu  futuro   é  que  eu   não
o   conheço  .






Eduardo   Galeano  _  O  caçador   de  histórias  _
imagem  _   Elsa  Mora _

sábado, dezembro 09, 2017

Côr de soprando no vento





Por quantas estradas tem um homem de andar
Até que se possa chamar-lhe homem
?
Sim, e quantos mares tem uma pomba branca de cruzar
Até que durma na areia
?
Sim, e quantas vezes têm as balas de canhão voar
Até serem para sempre banidas?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento .

Quantos anos pode uma montanha existir
Até ser levada para o mar 
?
Sim, e quantos anos têm algumas pessoas de existir
Até que lhes permitam ser livres
?
Sim, e quantas vezes pode um homem virar a cabeça
Fingindo que nada vê
?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento .

Quantas vezes tem um homem que erguer o olhar
Até que possa ver o céu
?
Sim, e quantos ouvidos deve um homem ter
Até poder ouvir pessoas a gritar
?
Sim, e quantas mortes são precisas até que saiba
Que demasiadas pessoas morreram
?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento


A resposta está soprando no vento .

 






Bob Dylan
imagem  _   Luis  Filipe   Gomes

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Côr de olhos que falam





O
silêncio   da   boca ,  não   cala   o   silêncio   dos    olhos  !
 












Foto  _   José  Carlos   Teixeira   _ 

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Côr de choro






















Ontem  ,

chorei   porque   deixei   que  me  tirassem   a   fé   cega  de  criança .
E
porque  vai  ser   difícil  continuar  acreditar  ,
e
adoro acreditar  !


Chorei ,
porque   daqui  em  diante  chorarei  menos.








domingo, dezembro 03, 2017

Côr de Fado Larangeira








Letra: J. César Valente
Música: Alfredo Marceneiro