A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, janeiro 31, 2009

Côr de Nureiev .



Das coisas que menos esperava
num hotel de cinco estrelas
era encontrar um gato
no meu prato de torradas.

Como num dos poemas últimos de Montale,
enquanto o chá arrefecia ,
foi -se afastando pelo muro do terraço,
em leves e femininos passos de dança,
como faria Nureiev se tivesse
tomado comigo o pequeno - almoço .


Eugénio de Andrade

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Côr de ... Ser .

Asas , ainda ,
porque voar é imperativo .
E
Sobretudo , lutar pela liberdade do Sermos !

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Côr de ... ter asas .



Eu tinha umas asas brancas ...

Hoje , porém , já não sou capaz de definir a sua cor .
Vai variando ...
Penso que tudo influi .
A idade , o bom ou mau uso que lhes damos , com quem voamos ... um cem numero de factores.
Momentos há que só encontro uma . . . _ quando as empresto , nem sempre me restituem o par _ .

A cor determina o local para onde posso ir .
Mas pensando bem ...
O importante é voar e isso sei que vou fazê - lo
!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Côr de Jackson Pollock .



Era génio antes de nascer em forma de gente ,
a forma de gente , não me deixa ser o génio que nasci .

Almada Negreiros


Subjacente a este pequeníssimo lembrar do grande pintor , está uma menina mulher que tem compartilhado o seu saber e os tantos cambiantes que esta arte possui .
Obrigada R .

segunda-feira, janeiro 26, 2009

domingo, janeiro 25, 2009

Côr de sete luas .



noites que são feitas dos meus braços .
E um silêncio comum às violetas .
E há sete luas que são sete traços
de sete noites que nunca foram feitas .
Há noites que levamos à cintura como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
duma espada à bainha de um cometa.
Há noites que nos deixam para trás enrolados no nosso desencanto ,
e cisnes brancos que só são iguais à mais longínqua onda de seu canto.
Há noites que nos levam para onde o fantasma de nós fica mais perto
e é sempre a nossa voz que nos responde ,
e só o nosso nome estava certo.


Natália Correia

Há noites ... luas ... nome !

sábado, janeiro 24, 2009

Côr de bambi e tambor .


Quando
a " magia " se transforma em ...



Mágica realidade !

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Côr de ... bastante .



Há
metafísica bastante , em não pensar em nada !

Alberto Caeiro

segunda-feira, janeiro 19, 2009

domingo, janeiro 18, 2009

Côr de ... o que falta .



Quando
Eu nasci , as frases que hão - de salvar a humanidade já estavam todas escritas.
Só faltava uma coisa ... Salvar a humanidade
!

José de Almada Negreiros _ 1921 _

Em 2009 , as frases continuam escritas e a esperança continua a sustentá - las !

sábado, janeiro 17, 2009

Côr de felicidade suprema .

Sabermos
ser amados por aquilo que somos ... felicidade.
Mas
Sê -lo , apesar do que somos ... felicidade suprema !

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Côr de pousado numa pata .



No fundo, bem lá no fundo do corpo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse, mas todos sabem que existe.
E não só sabem que existe,como também sabem o que lá tem dentro.
Dentro da alma, lá bem no centro, pousado numa pata, está um pássaro !
E o nome desse pássaro é o Pássaro da Alma.
E ele sente tudo o que nós sentimos .


E quando alguém nos abraça, o pássaro da alma que mora no fundo, bem lá no fundo do nosso corpo,começa a crescer, crescer,até encher quase todo o espaço dentro de nós, tão bom para ele é o abraço.


Decerto querem também saber de que é feito o pássaro da alma.
É feito de gavetas e mais gavetas.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da inveja e a gaveta da esperança.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
A gaveta da paciência e a gaveta do desassossego.
E mais a gaveta do ódio, a gaveta da cólera e a gaveta do mimo.
A gaveta da preguiça e a gaveta do vazio.
E a gaveta dos segredos mais escondidos, uma gaveta que quase nunca abrimos.
E há mais gavetas.
Agora já compreendemos que cada homem é difererente do seu semelhante , por causa do pássaro da alma que tem dentro de si .


E o mais importante ... escutar logo o pássaro.
Pois acontece o pássaro da alma chamar por nós, e nós não o ouvirmos.
É pena.!
Ele quer falar-nos de nós próprios , dos sentimentos que estão encerrados nas gavetas dentro de nós.
Há quem o ouça muitas vezes.
Há quem o ouça raras vezes,
E há quem o ouça ... uma única vez na vida.


Por isso vale a pena , talvez tarde pela noite, quando o silêncio nos rodeia, escutar o pássaro da alma que mora dentro de nós, no fundo, lá bem no fundo do corpo.



Michal Snunit _ O pássaro da alma _ Com alguns cortes .


Sempre que entro numa livraria tenho que passar pelo espaço chamado de livros infantis .
As ilustrações de alguns destes livros são autênticas obras de arte .
Numa dessas passagens , este livro " chamou - me " , e , como tantas vezes acontece , trouxe - o comigo .
Gostei dele ... ao ponto de o oferecer a vários amigos .
Mas é preciso vê -lo , porque o pássaro da alma está lá .
E felizmente , ainda há muita gente a vê -lo e a ouvi-lo .

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Côr de todas as cores .



Boa semana ,
apreciando estas belíssimas fotos de Hans Silvester .

domingo, janeiro 11, 2009

Côr de as minhas tuas mãos .



Olho
para as minhas mãos e súbito vejo as tuas.
Agora que envelhecem ,
começam a ser tu .
Não própriamente nas feições , mas no olhar , no sorriso na presença.

Agora que morreste , dou comigo a fazer as coisas com as tuas mãos
sobretudo com o teu impulso.
A nossa casa e a cara ranhosa do nosso pobre mundo.
Só que desanimo à primeira investida ... sempre me falta a água ou o sabão ou sobretudo o impulso .

Teresa Rita Lopes
É isso Mãe ... faltas - me , impulso .!

sábado, janeiro 10, 2009

Côr de ... Artur da Távola


Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso.

Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis. Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor?

Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?

Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele?

Não!
Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige. Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o próprio mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis mas existentes impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso , quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode _ ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós_ . Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz , não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe " ler" pensa que ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver , ele está comunicando códigos que nem sempre ou quase nunca sabemos traduzir.

O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber. Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante , à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se , até na higienea si mesmo , como o gato!Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada , sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.


Artur da Távola

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Côr de ... no teu poema .


No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito, e o eco da metralha
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro
.!


José Luis Tinoco

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Côr de sagrada .



A palavra dita ,
Para a maioria de nós não passa de um instrumento de comunicação.
Mas ela é mais que isso .
Ela é digna e merecedora de todo o nosso respeito.
Porque através da palavra podemos definir a pessoa que a
profere e , em principio , a pessoa merece-nos esse mesmo respeito .
Não devemos utilizá-la leviamente , nem aceitar o tão conhecido aforismo _ palavras leva-as o vento
_ .
Não !
Até mesmo que ela seja utilizada para esconder e não demonstrar pensamentos , sentimentos ,estados de alma , continuará a ser algo que nos transcende ... que chega a atingir o eterno .
Daí ser sagrada!

domingo, janeiro 04, 2009

Côr de ... Paraíso de afectos e emoções .

Mais Um filme.
Onde somos confrontados com a ternura , amizade , amor , humor , enfim todo o tipo de sentimentos e afectos .
Mas tratados com tanto refinamento ... este filme é Poesia.
E , como não podia deixar de ser aquela música , com que Ennio Morricone nos delicia
.!

sábado, janeiro 03, 2009

Côr de memória .




milhares de anos , os gatos foram considerados deuses .
O que nunca foi esquecido por eles .!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Côr de 2009 .



Dia 1 de Janeiro chegou .

E com Ele , como em todos os anos , por mais pragmáticos que sejamos , prometemos a nós própios , lidar, ou tentar lidar , diàriamente , com o antagonismo dos valores e dos afectos.
Mas
com a serenidade da aceitação , e a consciência do que estamos a tentar .
E sempre através do caminho da verdade.


Se houver tropeços , levantamo -nos .
Se houver vacilações , paramos para ganhar fôlego.
Mas

Sempre em frente , sem atropelar ninguém e tendo consciência de que a velocidade do passo humano é variável .
Nada disto é fácil , mas nunca ninguém nos garantiu que viver o seria
.
E , tal como disse o Poeta _ pedras no caminho ... guardo-as todas , um dia vou construir um castelo _.
Castelo esse a que podemos chamar , Vida .!