A _ cor _ dar , é preciso !


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terça-feira, janeiro 06, 2015

Côr de delicadeza




















Não, 
não ofereço perigo algum.  
Sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas 
de um livro .  
Definida  e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto 
do quarto. 
Se  tomada   com cuidado , verto água límpida sobre as mãos 
para que se possa refrescar o rosto , mas se tocada por dedos
bruscos  num segundo me estilhaço em cacos , me esfarelo em poeira . 
Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas , dos muitos toques , embora sempre os tenha evitado.
Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes 
para despertar a suavidade alheia  . . .  

mesmo  assim  . . .   insisto  . . .









Caio Fernando Abreu  _  Os dragões não conhecem o paraíso _

imagem _  Luci  Massy _

sábado, janeiro 25, 2014

Côr de abraço




















Dentro de um  abraço nenhuma  situação
é  incerta , o  futuro  não  amedronta ,  
 confortavelmente   estacionamos  meio 
 ao  paraíso .
O rosto contra  o  peito   de quem  te  abraça ,
as  batidas  do coração  dele  e  as  tuas ,  o 
silêncio  que   sempre  se  faz durante  esse 
envolvimento   físico . . .  
Nada  há  para  se reivindicar  ou  agradecer, 
dentro  de  um  abraço  voz  nenhuma  se  faz 
necessária ,  está   tudo   dito .




 





Caio  Fernando  Abreu
imagem  _   Matteo  Arfanotti _