A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, janeiro 26, 2013

Côr de . . . polémico ?!




















Bichos polémicos sem o querer , porque sábios, mas inquietantes , talvez por isso .
Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos.

O homem quer o bicho espojado , submisso , cheio de súplica , temor, reverência , obediência . O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
Já viu gato amestrado , de chapeuzinho ridículo , obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele
? Não !
Ele só aceita uma relação de independência e afeto.Ele só admite afeto com troca e respeito pela individualidade.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte.Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Sim , o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas , quando o sente , é capaz de amar muito. Discretamente , porém sem derramar-se .
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece , então , como ameaça , porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério .
O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além , por dentro e pelo avesso . Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto , guardado e nem nós queremos , sabemos ou podemos ver . Por isso , quando surge nele um ato de entrega , de subida no colo ou manifestação de afeto , é algo muito verdadeiro , que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe , pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente , o gato sente. Se há solidão , ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós) . Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas
de maus fluidos , ele se afasta . Nada diz , não reclama . Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. 

É uma chance de meditação permanente a nosso lado , a ensinar paciência , atenção , silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge , sim , refinado , silencioso , meditativo e sábio monge , a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado , já conhecido e trilhado.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gatoLição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante .O gato sai do sono para o máximo de ação , tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia , equilíbrio , desempenho muscular. Lição de salto . Lição de silêncio . Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças , sem veemências , sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta  à disposição do homem.
 
 
 
 
 
Artur  de  Távola
imagem _  net _ 

domingo, janeiro 20, 2013

Côr de roubos e desvios




Paddy  ganhou  dinheiro  nas  corridas  de  cavalos
e  decide  deleitar - se  com  uma  refeição  num
restaurante  de  luxo . Enquanto  o  jantar  lhe  é 
é  servido    repara  que  as  colheres  são  de  prata .
E   por  isso  coloca   uma  das  colheres   no  bolso ,
levanta - se   e   vai - se  embora .
Quando  está  quase  a  chegar   à  porta  ,   o  
empregado  vai   atrás   dele  e   diz - lhe  . . .
_  Queira   desculpar ,  mas  . . .   e  a   conta  ?
Paddy   volta -  se   e  diz . . .
_  Qual   colher  ?

A   sua   mente   está  totalmente   concentrada   na
colher   que   acabou  de  roubar . 
Não   ouve   a   palavra   conta , ouve   a   palavra
colher .
É   natural .  Estamos   tão  cheios  de  colheres
roubadas  que ,  quando  nos   apresentam   a  conta , 
reagimos  automaticamente . . .   qual   colher ?




Osho _   Saia  da  sua  frente  _
Jeanne  Illenye


Entretanto ,  pergunto - me . . .
esta   reação   acontecerá   com   todos os  que  se  
que  se  apoderam  dos  bens  alheios ,   ou
apenas com  os  que  se  contentam   com  uma
colher  de  prata ?

sábado, janeiro 12, 2013

Côr de muito menos



A propósito ,

não resistiremos a recordar que a morte , por si mesma ,

sozinha ,

sem qualquer ajuda externa , sempre matou muito menos

que o homem .
















José Saramago _ As intermitências da morte _


Colette Calascione

sábado, janeiro 05, 2013

Côr de a tal glândula . . .




Uma
das mais bonitas histórias da América Latina conta que os deuses maias fizeram várias tentativas de criar a mulher e o homem , porque estavam muito entediados   e queriam ter com quem conversar . Então , fizeram de diferentes formas e fracassaram , era um desastre , até que encontraram a forma  . . .
de que a gente fosse a gente , feitos de milho . Os deuses maias nos fizeram de milho e por isso temos todas as cores , como o milho . Não o milho transgênico , nem o químico que nos estão vendendo agora.
Mas , antes de chegar no milho , os deuses maias tentaram , por exemplo , fazer a mulher e o homem de madeira e ficaram perfeitinhos , mas tinham um inconveniente  gravíssimo . . .  não respiravam, e como não respiravam, não tinham palavras para dizer, porque da boca não saía nada.
E eu sempre  pensei  se não respiravam , também não tinham desalento . Para ter fôlego , é preciso ter desalento . Para você se levantar tem que saber cair , para ganhar tem que saber perder . E temos que saber que assim é a vida e que você cai e se levanta muitas vezes , e que alguns caem e não se levantam nunca mais , geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar , as pessoas que mais dor sentem ao viver , as pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis.
Em contra  partida , esses filhos da p*** que se dedicam a atormentar a humanidade vivem vidas longuíssimas , não morrem nunca , porque não têm uma glândula , que na verdade é bem rara ,  e que se chama    consciência .



Eduardo  Galeano
Paul   Cadmus

terça-feira, janeiro 01, 2013