A _ cor _ dar , é preciso !
Mostrar mensagens com a etiqueta Herberto Helder. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Herberto Helder. Mostrar todas as mensagens
sábado, fevereiro 06, 2016
Côr de ... como dizer -te ...
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir ,
quando sucede a noite esplêndida e casta .
Não sei o que quer dizer , quando longamente
teus pulsos se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado.
Quando , iniciado o campo,
o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
eu não sei como dizer-te que cem ideias ,
dentro de mim , te procuram.
Quando as folhas de melancolia arrefecem
com astros ao lado do espaço e o coração é uma semente
inventada em seu ascético escuro e em turbilhão de um dia ,
E então não sei o que dizer junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim,
te procura.
Durante a primavera inteira aprendo os trevos,
a água sobrenatural , o leve e abstracto correr do espaço
e penso que vou dizer algo cheio de razão ,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios ,
sinto que me falta um girassol,
uma pedra, uma ave, qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres que
dentro de mim é o sol, o fruto, a criança, a água, o leite, a mãe, o amor,
que te procuram.
Herberto Helder
imagem _ Christian Schloe _
terça-feira, março 24, 2015
Côr de Herberto Helder
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável , único ,
invade as órbitas , a face amorfa das paredes ,
a miséria dos minutos ,
a força sustida das coisas ,
a redonda e livre harmonia do mundo .
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério .
E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
Até sempre, Poeta . . .
sábado, setembro 13, 2014
Côr de como dizer - te
Porque
não sei como dizer-te sem milagres , que
dentro de mim é o sol , o fruto , a criança ,
a água , o leite , a mãe , o amor ,
que te procuram .
Herberto Helder
imagem _ Irena Komadinic _
sábado, abril 05, 2014
Côr de má fé
. . . o fruto mais venenoso da má fé ,
é
a falsa atenção .
Herberto Helder _ Photomaton & Vox _
imagem _ Erika Kahn _
domingo, março 02, 2014
Côr de permissão
Se
eu quisesse enlouquecia .
/
Não aguentamos a desordem estuporada da vida .
Helberto Helder _ Os passos em volta _
imagem _ Catrin Arno _
A vida . . . a vida nada tem a ver com a loucura .
Nós sim !
Nós é que permitimos que nos vão enlouquecendo. . .
Etiquetas:
coisitas minhas,
Herberto Helder
sábado, fevereiro 15, 2014
Côr de aquele que dá a vida
Os animais não podem ser humilhados ou destruídos .
Há uma epécie de dignidade por falta de recursos morais , uma inteireza fundada no mundo natural . Por meio da consciência , o homem alcança o poder ou a vulnerabilidade que o destroi . Escolhece - se a força ou a destruição própria , através da inspiração passada às provas , na enigmática malha da vida , opondo as astúcias do talento a cada repto de coisas È o génio intimo de cada um . Génio que não dá paz , que se contenta de si , e se alimenta do seu mesmo exercício . O poder é o poder , mais nada.
Um bicho , depois de fugir em pânico , assenta as patas na terra e avança inteiro , com os cornos baixos , ele todo projectado na violência da cabeça . Passa ou não passa . Passa ou morre . A morte é o seu abismo . Não pede perdão .
Porque a inteireza animal é cega , limpa como a luz .
Herberto Helder _ Os passos em volta , [ excerto ] _
imagem _ andrey aranyshev _
Subscrever:
Mensagens (Atom)




