A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, fevereiro 06, 2016

Côr de ... como dizer -te ...




















Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir ,
quando sucede a noite esplêndida e casta .


Não sei o que quer dizer , quando longamente
teus pulsos se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado.


Quando , iniciado o campo,
o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
eu não sei como dizer-te que cem ideias ,
dentro de mim , te procuram.


Quando as folhas de melancolia arrefecem
com astros ao lado do espaço e o coração é uma semente
inventada em seu ascético escuro e em turbilhão de um dia ,
E então não sei o que dizer junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.


Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo 

não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim, 
te procura.

Durante a primavera inteira aprendo os trevos,
a água sobrenatural , o leve e abstracto correr do espaço
e penso que vou dizer algo cheio de razão ,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios ,
sinto que me falta um girassol,
uma pedra, uma ave, qualquer coisa extraordinária.


Porque não sei como dizer-te sem milagres que
dentro de mim é o sol, o fruto, a criança, a água, o leite, a mãe, o amor, 


que te procuram.




Herberto Helder

imagem _  Christian  Schloe _

3 comentários:

Luis Filipe Gomes disse...

sim!

Emília Pinto disse...

E perante este belo poema também não sei o que dizer. Um poema melancólico onde o amor aparece em cada palavra. E quem disse que o amor não é nostalgico..melancólico? sim ...e muitas vezes sofrido demais. Enche-nos o coração de todo o tipo de emoções, o amor! Bendito seja ele! Que cor dar a estes versos? Que tal se lhe dermos todas as do arco iris? Obrigada, Amiga, pelo belo momento. Um beijinho
Emilia

São disse...

Sempre agradável ler HH

Abraço grande, Maria