A _ cor _ dar , é preciso !


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segunda-feira, dezembro 05, 2016

Côr de árvores















As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem .
Com o vento soltam ais como se suspirassem ,
e gemem , mas a queixa não é sua .

Sós , sempre sós.
Nas planícies , nos montes , nas florestas .
A crescer e a florir sem consciência . 


Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.







António  Gedeão
imagem  _  Oliveira   Milenar  _ 




"   A crescer e a florir sem consciência .  " 
    sem consciência  . . . 
                                    Não   creio   . . .