A _ cor _ dar , é preciso !
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quinta-feira, dezembro 21, 2017
Côr de Inverno
É
a música , este romper do escuro.
Vem de longe , certamente doutros dias,
doutros lugares.
Talvez tenha sido a semente de um choupo,
o riso de uma criança , o pulo de um pardal.
Qualquer coisa em que ninguém
sequer reparou , que deixou de ser
para se tornar melodia .
Trazida por um vento pequeno ,
um sopro , ou pouco mais , para tua alegria.
E agora demora-se ,
este sol materno , fica contigo o resto dos dias.
Como o lume , ao chegar o Inverno .
Eugénio de Andrade
imagem _ Christian Schloe
sábado, julho 22, 2017
Côr de as mãos
Aqui estão as mãos .
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui . . .
frescos, matinais, quase de orvalho ,
de coração alegre e povoado.
Ponho nelas a minha boca ,
respiro o sangue , o seu rumor branco ,
aqueço-as por dentro , abandonadas
nas minhas , as pequenas mãos do mundo.
Alguns pensam
que são as mãos de Deus
eu sei que são as mãos de um homem ,
trémulas barcaças onde a água ,
a tristeza e as quatro estações
penetram , indiferentemente.
Não lhes toquem ... são amor e bondade.
Mais ainda ... cheiram a madressilva.
São o primeiro homem , a primeira mulher .
E amanhece.
Eugénio de Andrade _ Até Amanhã _
imagem _ Miguel Ângelo _
quinta-feira, julho 10, 2014
Côr de viver
Sê tu a palavra
Poupar o coração
é permitir à morte
coroar-se de alegria.
Morre
de ter ousado
na água amar o fogo.
Eugenio de Andrade
imagem _ net _
sábado, novembro 16, 2013
Côr de beber
Nos teus dedos nasceram horizontes
e aves verdes vieram desvairadas
beber neles , julgando serem fontes .
Eugénio de Andrade
imagem _ Stasys Krasauskas _
sexta-feira, agosto 23, 2013
Côr de . . . quando
Quando
a ternura
parece já do seu ofício fatigada ,
e o sono , a mais incerta barca ,
inda demora ,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura ,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas ,
pelo silêncio fascinadas .
Eugénio de Andrade
imagem _ Rahele Basir _
Eugénio de Andrade
imagem _ Rahele Basir _
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