A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, outubro 21, 2017

hermann hesse

Parece que todo sofrimento tem um limite. A partir do limite, ou desaparece ou se transforma, assume a cor da vida; talvez ainda doa, mas a dor é esperança e vida. Assim aconteceu comigo com a solidão. Agora não estou menos sozinho que na minha pior época. Mas a solidão é uma mistura que nem me drogou ou pode me machucar, bebi deste copo o suficiente para imunizar-me contra o seu veneno. Mas não é realmente veneno ... o foi, mas foi transformado. Veneno é tudo aquilo que não aceitamos, não amamos, não somos capazes de saborear com gratidão. E tudo o que amamos, tudo o que nos serve para extrair e sugar a vida é vida e valor "
Hermann Hesse

segunda-feira, outubro 16, 2017

Côr de o fogo de todos nós






















Tristeza ,  cansaço ,  desespero ,
à
mistura com  muita  determinação , coragem  e  força . 











imagem _    Ada   Muntean   _

Côr de Summertime





domingo, outubro 15, 2017

Côr de respeito mútuo



























Não ,
não  nos   coloquem   rótulos .
Deixem   que   sejamos   apenas   nós .

É  . . .
isso    chama - se   . . .
respeito   mútuo  .













imagem  _   Omar    Galliani   _

sábado, outubro 07, 2017

Côr de calúnias



















Segundo 
dizem ,  o   homem   é    o   lobo   do   homem .
Contudo,  nunca ,  em   ocasião   alguma ,  um   lobo  mata   outro  lobo  .
Eles  não   se  dedicam  ,  como   nós  ,  ao   extermínio   mútuo .
Os   lobos  têm   má   fama ,   mas   não   são   eles   que   estão   a   transformar   o   mundo   num    imenso   manicómio   e   num   
povoadíssimo   cemitério  .  








Eduardo  Galeano  _   O   Caçador  de   Histórias   _

imagem  _  Cal    Brenders   _

Côr de Eduado Galeano

























O
grande humanista, que soube voar às escuras, como os morcegos, nestes tempos sombrios .

E
que no seu  ultimo  livro  ,  O   Caçador  de   Histórias  ,    diz   . . .

Continuo a acreditar que o arco-íris humano tem mais cores e mais fulgores do que o arco-íris celeste, mas estamos cegos. Ou melhor, que uma longa tradição mutiladora nos cegou.

E direi que escrevo para tentar que sejamos mais fortes do que o medo do erro ou do castigo, na altura de fazer a escolha no eterno combate  entre  
os indignos e os indignados.



O
homem  por  quem  me   apaixonei   há   anos  e   que , apenas  passou  para  o  outro lado  do  caminho  a  13  de  Abril   de 2015 ,  mas   que   continua  vivo . [  faz  parte   dos  seres  que   da  "  lei   da  morte  se   libertaram  " ]

sábado, setembro 30, 2017

Côr de a criação dos seres .
















O
espírito  tinha  inicialmente ,  a  forma  de  um  homem   e  uma   mulher  enlaçados .
Mais  tarde  ,  este  ser ,  ou  Eu ,  separou -se  em  dois ,  dando   assim 
origem  ao  marido  e  esposa .
Uniu - se  a  ela .   A  humanidade  foi  engendrada  por  esta  união .
A   esposa  perguntou   - se  . . .
Porque   razão   ele  se  une  a  mim ,  tendo - me   engendrado  a  partir  
dele  ? 
Vou  esconder - me .
Ela  transformou - se  em  vaca   e   ele  transformou -se   em   touro .
Ela  transformou - se  sucessivamente   em   jumenta  ,  cabra ,  ovelha ,  etc  .
E   foi  assim  que  tudo  o   que  tem   forma  de   par  foi  criado  na  terra  , 
do  homem   até   às   formigas .












Conto  Indiano 700  a. C. _  Brihadaranya  Upanihad _ 
Rosa do  Mundo  2001  poemas  para  o  futuro .
imagem   _   Adonna  Khare  _

sexta-feira, setembro 29, 2017

Côr de burocracia





















Sixto Martínez  fez  o  serviço  militar  num  quartel  de  Sevilha. 

No  meio do pátio desse quartel havia  um banquinho. Junto  ao  banquinho, 
um  soldado  montava  guarda. 
Ninguém sabia porque se montava guarda para o banquinho.
A  guarda era feita  por que sim, noite e dia, todas as  noites, todos  os dias,
e de geração  em  geração  os  oficiais  transmitiam  a  ordem  e os soldados obedeciam.
Ninguém  nunca  questionou , ninguém  nunca  perguntou.
Assim era feito, e sempre tinha sido feito.
E assim  continuou  sendo  feito  até que  alguém , não  sei  qual  general ou
coronel , quis  conhecer   a ordem original.
Foi  preciso revirar os arquivos  a  fundo. E  depois de muito cavoucar , soube-se . . .

Fazia trinta e  um  anos, dois meses e quatro  dias, que um oficial tinha 
mandado  montar guarda junto ao banquinho, que fora , recém-pintado, para que . . . 
ninguém  se sentasse na tinta  fresca . 









 Eduardo   Galeano  _    O livro  dos  abraços  _
imagem  _  Jean  Baptiste   Monge  _

quarta-feira, setembro 27, 2017

Côr de cortar rente






























é 
preciso cortar rente
tão  rente  que  doa
e
ainda que  rente
uma  ou  outra ,  voa .  










imagem  _  Albrecht   Dürer  _

domingo, setembro 24, 2017

Côr de todos os dias


























A
estranha   prometeu   que   regressava   logo . Já  , o  mais  tardar .
Não  sei  quanto  demorou .  Talvez  umas   tantas  noites  ou  escassos  instantes . Nem  sei .
Porque  adormeci  ,  ansioso   por  me  suprimir .
Doeu - me  acordar .
Nesse   custo  ,  entendi   . . .
acordar  não  é  a   simples  passagem   do  sono  para  a  vigília .  É   mais  um  lentíssimo  envelhecimento . 
Cada  despertar   somando  o  cansaço  da  inteira  humanidade .
E   concluí  . . .
a   vida  toda  ela ,  é   um  extenso   nascimento  .




Mia  Couto _   Cada  homem  é  uma  raça pequeno   excerto ]  _
 imagem _   Olaf   Hajek  _






Depois   
desta   leitura , tornou -se  claro  ...  o  meu  acordar  sofrido  ,  roçando  a  uma  recusa .
Nascer  dói .

Mas , 
logo ,  logo , aparece  a   Natureza ,  com  as  suas  incomensuráveis  belezas ,  que  nos  pega na  mão   e   diz  . . .
_   dói  ,   mas   vale _        

sexta-feira, setembro 22, 2017

Côr de Outono




























A
minha   estação   . 






Imagem  _  Alphonse  Mucha   _

segunda-feira, setembro 18, 2017

domingo, setembro 17, 2017

Côr de . . . segura o mundo



















/ Quando 
Baltasar entra em casa , ouve o murmúrio que vem da cozinha , é a voz da mãe , a voz de Blimunda, ora uma , ora outra ,  mal se conhecem e têm tanto para dizer , 
é a grande , interminável conversa das mulheres , 
parece coisa nenhuma , isto pensam os homens , nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita , não fosse falarem as mulheres umas com as outras ,
 já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta .






  




José Saramago _  Memorial  do  Convento  pequeno   excerto  ]  _ 
imagem _ Francine   Van   Hove  _   

terça-feira, setembro 12, 2017

Côr da pequena morte























Não
nos  provoca  riso  o  amor quando  chega  ao  mais  profundo  da  sua 
viagem ,   ao  mais  alto  do  seu  vôo . . .
no  mais  profundo ,  no  mais  alto ,  nos  arranca  gemidos   e  suspiros ,
vozes  de  dor ,  embora   seja   a  dor  jubilosa , e  pensando  bem  não há  
nada  de  estranho  nisso , porque  nascer  é  uma  alegria  que  dói .
Pequena  morte  ,  chamam  na  França  a  culminação  do  abraço  ,  que  
ao  quebrar - nos  faz  por  juntar - nos ,  e  perdendo - nos  faz  por  nos
encontrar  e  acabando  conosco  nos  principia .

Pequena   morte ,   dizem  . . .  mas   grande ,  muito  grande  haverá 
de  ser , 
se  ao  nos     matar   nos   nasce .










Eduardo   Galeano  _  Mulheres  _
imagem  _  Claude  Théberge  _

domingo, setembro 10, 2017

Côr de sofrimento






Quando ,
a   natureza   reage   ao   desrespeito   com   o   qual   tem  sido   tratada   . . . 
enfrentamos 

sofrimento

sexta-feira, setembro 08, 2017

Côr de sei























Sei
que  o  único  canto ,
o  único  digno  dos  cantos  antigos ,
a  única  poesia ,
é  a  que  cala  e  ainda  ama  este  mundo ,

esta  solidão  que  enlouquece  e  despoja .













António  Gamoneda Oração Fria  _
imagem  _    Christian Schloe  _

segunda-feira, setembro 04, 2017

Côr de pequenos grandes amores




























Ontem  ,
os  meus   dois   pequenos   grandes   amores   completaram   doze   anos   de  vida .

Claro   que  a  Mariana   estava   felicíssima  e orgulhosa , pois  _  "   estás   a  uma   linda   rapariga  " _  ,     o   que   mais   se  ouvia   .
E
é  verdade .   Linda  por   dentro   e   por   fora  .


A    Ana  ,  também   foi   convidada   para   a  festa ,  porém   declinou   o   convite .  
É   uma  gatinha   muito  reservada  . 
A   sua   festa   foi  entre  nós   .  Dei -lhe   todos   os  carinhos   que  ela  não   se  acanha   de  pedir   e   um   presente .  Agradeceu  com  uma  "  torrinha  "  mais   demorada .


Há   um   porém ,
a   Ana   tem  ciúmes , enormes ,  da   Mariana  .   Não   posso  tê - las  juntas . 
Mas   é  apenas  com  ela   que   tem    esta  reacção .
Já   lhe   expliquei   que  " chego "   para  as  duas  .  Mas ela  não  entende :) !

E   assim   se   passou   mais  um   ano   deste   dois   seres   que   muito   amo !


Para   o   ano   aqui   estaremos  . . .   com   toda   a  certeza .

sábado, setembro 02, 2017

Côr de dôr






A
maioria  dos  humanos  receia   o  acto  de  morrer ,

Porém ,
viver , oferece - nos momentos  incomparavelmente
   
mais   dolorosos .












imagem  _  Omar  Galliani  _

quinta-feira, agosto 31, 2017

Côr de sermos nós .





Não, 
não ofereço perigo algum . . . 
sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto  .
Se tomada com cuidado , verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto , mas se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos , me esfarelo em poeira dourada . 
Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos toques , embora sempre os tenha evitado .  
Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia , e mesmo assim insisto .




Caio  Fernando  de  Abreu  [  com   alguns  cortes ]
imagem  _  Olaf    Hojek _


É 
verdade .  Insisto  ,   insisto   ...  
Para  continuar  a  ser   eu  ,  e   continuar   a    gostar - me  !   

terça-feira, agosto 29, 2017

Côr de sangue



























Hoje ,
segurando   a   coragem  ,  
vesti    aquele   vestido   vermelho   sangue  ,
que  me   ofereceste    . . .
na    despedida .












imagem  _   Olaf    Hojek   _

domingo, agosto 27, 2017

Côr de musica que gosto

Côr de segredos





























Tenho  
contado  todos  os  meus  segredos  ao  vento ,

hoje   reparei  , que  as  árvores  me  olham  com
doçura
e
cumplicidade .



 










imagem  _ Luis  filipe  Gomes  _

sexta-feira, agosto 25, 2017

Côr de Geni e zepelim

Côr de diferente








Diferente
não é quem pretenda ser.
Esse é um imitador.

O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente.
Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride..O diferente paga sempre o preço de estar, mesmo sem querer , alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual , a inveja do comum , o ódio do mediano .
O diferente começa a sofrer cedo , já na primária , onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em _" como você é complicado" _
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham ,  chora onde outros xingam . Quer  onde outros cansam . Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza . Sofre onde os outros ganham.

 Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes.
Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o golo , porque gosta mais de jogar do que de ganhar.

Os diferentes aí estão ... enfermos, paralíticos, machucados, engordados ,magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas . 

Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser , conseguindo ser , sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir , entender.

Nessas moradas estão tesouros da ternura humana , de que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.


A menos que você seja suficientemente forte , para suporta-lo depois








Atur de Távola  com  pequenos  cortes  _
imagem aguarela  M.C. _