Quem fosse acompanhando juntamente
Por esses verdes campos a avezinha ,
Que despois de perder um bem que tinha ,
Não sabe mais que cousa é ser contente !
E quem fosse apartando-se da gente ,
Ela por companheira e por vizinha ,
Me ajudasse a chorar a pena minha ,
E eu a ela também a que ela sente !
Ditosa ave ! que ao menos , se a natura
A seu primeiro bem não dá segundo ,
Dá-lhe o ser triste a seu contentamento .
Mas triste quem de longe quis ventura
Que para respirar lhe falte o vento ,
E para tudo , enfim , lhe falte o mundo !
Por esses verdes campos a avezinha ,
Que despois de perder um bem que tinha ,
Não sabe mais que cousa é ser contente !
E quem fosse apartando-se da gente ,
Ela por companheira e por vizinha ,
Me ajudasse a chorar a pena minha ,
E eu a ela também a que ela sente !
Ditosa ave ! que ao menos , se a natura
A seu primeiro bem não dá segundo ,
Dá-lhe o ser triste a seu contentamento .
Mas triste quem de longe quis ventura
Que para respirar lhe falte o vento ,
E para tudo , enfim , lhe falte o mundo !
Luís Vaz de Camões
imagem _ Júlio Pomar _
