A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Côr de . . . não chega a ser ferida



Nunca fui o que quiseste ,
Fui sempre o que não gostavas ,
Deitei fora o que me deste ,
Pedi-te o que não me davas .

Fui abraço de serpente
E beijo amargo limão ,
Fui um corpo sem ser gente ,
Mão que é prego noutra mão .

Fui de promessa fingida
E rosto que não se encara .

Dor que não chega a ser ferida
E até por isso não sara .

Fui noites sem madrugadas ,
Desejo sem aflição
Estamos de costas voltadas
Por mais que digas que não .







Letra _  Maria  do  Rosário  Pedreira  _
Musica _  Alfredo  Marceneiro  _

1 comentário:

Luis Filipe Gomes disse...

Eu entendo o que a Aldina quer dizer.
Tenho mesmo muito respeito pela sua sensibilidade e pelo seu conhecimento.
Modestamente queria só lembrar o que Alain Oulman foi para o Fado e sobretudo para Amália logo em 1962 quando se conheceram e saiu o disco chamado "Busto", e depois em 1970 com o disco "Com que Voz.
Tudo era novo desde a música até aos poemas e aos poetas cantados incluindo Camões cujo soneto deu nome ao "Com que voz".
O facto de Camões ter voltado a ser um poeta vivo, cantado na rua, dá essa dimensão do que é tradicional no sentido patrimonial que Aldina fala. O património nesse sentido não necessita da inovação, mas o que Alain Oulman fez foi a maravilha de tornar esse património compreensivel pelos seus contemporâneos e projectar para o futuro a sua interpretação musical de como deveria ser cantada aquela poesia de Camões. Este tipo de inovação sim é indispensável, já que a outra mais espetacular que mistura cantores de flamenco ou músicos de jazz é menos importante e até mesmo essa também Amália e outros a exploraram.