A _ cor _ dar , é preciso !


sábado, março 14, 2009

Côr de O meu Menino Jesus

Num meio dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte ,
tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva ,
E a arrancar flores para as deitar fora ,
E a rir-se de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu
!

Era nosso demais para fingir de segunda pessoa da Trindade.
No céu tinha que estar sempre sério .
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz , e estar sempre a morrer ./

Um dia que Deus estava a dormir e o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido .
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu ,
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol ,
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso natural ,
Limpa o nariz ao braço direito ,
Chapinha nas poças de água , colhe as flores e gosta delas e esquece-as./
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as cores que há nas flores.
Mostra-me como
pedras são engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas.

O Menino Jesus adormce nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa
.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança , o deus que faltava .
Ele é o humano que é natural, Ele é o divino que sorri e que btinca.

A Criança Nova que habita onde vivo, dá uma mão a mim e a outra a tudo que existe .

Damo-nos tão bem um com o outro , na companhia de tudo , que nunca pensamos um no outro.

Mas vivemos juntos e dois , como a mão direita e a esquerda .

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas. Graves ,como convém a um deus e a um poeta.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas e dos homens
E ele sorri , porque tudo é incrivel.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa , despindo-o lentamente , e como seguindo um ritual muito limpo , e todo materno , até ele estar nu .
Ele dorme dentro da minha alma .
E às vezes acorda de noite e brinca com os meus sonhos .

Quando eu morrer , filhinho , seja eu a criança , o mais pequeno,
Leva-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa
.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias , caso eu acorde , para eu tornar a adormecer .
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é .



Fernando Pessoa _ Alberto Caeiro _

Para ti C , que te emocionaste , até ao soluço , quando , pela primeira vez , ouviste , na integra , este maravilho poema !

sexta-feira, março 13, 2009

Côr de amor sapiente .



Um amor sapiente tem no tacto
Para encontrar a luz que acende nos corpos...
Iluminados flancos , dom inato de achar o brilho que escorre pelos contornos.

No esplendor da nudez , um país puro
De estátuas ao bronze e ao mármore chama.
E engendram os dedos o claro percurso
Da pedra até ficar na forma humana .

Límpida arte que no sol mergulha
Buscando a vida luminosa e alta
E na magia branca da escultura
Instiga o ouro de uma manhã que falta !

Natália Correia

quinta-feira, março 12, 2009

Côr de expresão .



Bem aventurados os pintores escorrendo luz
Que se expressam em verde ,azul , ocre , cinza , zarcão .
Bem aventurados os músicos...
E os bailarinos e os mímicos e os matemáticos...

Cada qual na sua expressão!

Só o poeta é que tem que lidar com a ingrata linguagem alheia...
A impura linguagem dos homens !

Mário Quintana

terça-feira, março 10, 2009

Côr de ... porque .



Porque gosto , tanto , de mãos ?

Porque sim , como algumas crianças dizem ,
ou
lá no fundo , talvez , porque ...
Com elas o cego vê , o mudo fala ,
Com elas acaricias,

Com elas amas ,
Com elas diminuis uma dor , ou mesmo curas ,

Com elas ensinas e aprendes ,
Com elas fazes poesia ,

Com elas pintas ,
Com elas dizes sim ,
Com elas semeias e regas a semente ,
Com elas dás milho ás aves ,
Com elas aplaudes ...
Com elas suplicas e agradeces ,

Com elas recebes e dás ,
Com elas , enfim , abarcas a vida , e ... sem discursos !


E são únicas ...

somos responsáveis por elas ... tanto no bem como no mal .!

segunda-feira, março 09, 2009

Côr de ... cor ?!



_Era uma vez uma galinha branca que punha ovos azuis...

Ovos azuis ?
Reclamou a professora , indignada , interrompendo a leitura da minha redacção , enquanto a turma se agitava em risinhos de troça e segredinhos maliciosos.
- Ovos azuis , sim , senhora professora , respondi eu .
A minha galinha põe ovos azuis _ .
_ A menina está a brincar comigo ?
Já viu alguma galinha pôr ovos azuis ?
Sente-se imediatamente e faça já outra redacção _.
Voltei para o meu lugar, de cabeça erguida, enfrentando a galhofa da turma.
Não baixei os olhos , apenas os senti escurecer, num desafio.

Durante o recreio fiquei na aula, de castigo.
Mas não fiz outra redacção.
Depois do "toque", a professora chamou-me para que lesse , em voz alta , a segunda versão .
Comecei ...

_ Era uma vez uma galinha branca que punha ovos brancos ...Só porque não a deixavam pôr ovos azuis.!


Maria José Balancho

domingo, março 08, 2009

Côr de ... todos .



Que
todos os seres
em todos os mundos ,
consigam ser felizes e bem aventurados.
Felizes os felizes !