A _ cor _ dar , é preciso !
É
impossivel dizer o que é a verdade , pois ela não existe enquanto tal.
Ela só existe enquanto manifestação, através do dizer humano .
E aquele que a possui não a diz , pratica acções que falam por si.
Pois só assim é que a verdade se mostra . . .
no silêncio dos actos.
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im _ da net _
Salve ó tu senhor da luz , que presides ao grande Castelo, que dominas as trevas opacas !Eu vim a ti , que és radioso e puro , tu cujas mãos estão atrás de ti , e cujos cestos estão sobre tua cabeça .
Dá - me a minha boca , a fim de que por ela eu possa falar , e guia o meu coração na hora do perigo .
Do livro dos mortos do Antigo Egipto _ Rosa Do Mundo , 2001 poemas para o futuro _
Foto [ ? ]
Julgo que todos conhecem a estória do burro que caíu a um poço e da dificuldade que o dono enfrentou em tirá - lo de lá e também como o homem pensou resolver a situação ...
O animal já estava velho , o poço não tinha água , soterrá-lo seria a solução .
E , com a ajuda dos vizinhos , começou a ser lançada terra sobre o animal . No início ele ainda chorou , mas passado pouco tempo calou - se .
Estranhando , o dono foi espreitar .
Surpreza !
A cada pazada de terra que lhe era lançada , o burro sacudia - a e saltava sobre ela .
Quanto mais terra lhe lançaram , tanto mais rápidamente alcançou a saída do poço ...
Claro que não passa de um pequeno conto com o intuito , como tantos outros , talvez mais elaborados , de nos " dizer " _ quando lhe atirarem terra , mesmo que esteja no fundo do poço , " abane - se - " _
Tenho a certeza que todos já passamos por esta necessidade de sacudir problemas [ alguns bastantes graves ] e continuar em frente . Por vezes , não só sacudi -los como medir forças vencendo - os .
Até com a própria morte .
Então porque é que um " pequeno senão " , por vezes , me deixa sem vontade de sacudir a terra , ficar quieta e não dar o salto ! ?
A complexidade do ser humano !!!
Im _ Agita Keiri _
Como fazer-te saber que há sempre tempo ?
Que temos que buscá-lo e dá-lo…
Que ninguém estabelece normas , senão a vida…
Que abrirmo-nos não é amar indiscriminadamente…
Que não é proibido amar…
Que também se pode odiar…
Que a agressão porque sim, fere muito…
Que as feridas fecham-se…
Que as portas não devem fechar-se…
Que a maior porta é o afecto…
Que os afectos definem-nos…
Que não quanto mais se carrega no traço mais se desenha…
Que o sexo faz parte da lindeza da vida…
Que o porquê das crianças tem o seu porquê…
Que querer saber de alguém não é só curiosidade…
Que saber tudo de todos é curiosidade malsã…
Que nunca é demais agradecer…
Que para nos darem há também que saber pedir…
Que ajudar é poder dar ânimo e apoiar…
Que adular não é apoiar…
Que adular é tão pernicioso como virar a cara…
Que as coisas cara a cara são honestas…
Que ninguém é honesto por não roubar…
Que quando não se tira prazer das coisas não se vive…
Que se pode estar morto em vida…
Que com os ouvidos se escuta…
Que custa ser sensível e não se ferir…
Que ferir-se não é sangrar…
Que para não nos ferirmos levantamos muros…
Que melhor seria fazer pontes…
Que por elas se vai à outra margem …
Que voltar não implica retroceder…
Que retroceder também pode ser avançar…
Que não é por muito avançar que se amanhece mais perto do sol…
Como fazer-te saber que ninguém estabelece normas, senão a vida ?
Mario Benedetti
Catrin Arno