A _ cor _ dar , é preciso !


sábado, janeiro 12, 2013

Côr de muito menos



A propósito ,

não resistiremos a recordar que a morte , por si mesma ,

sozinha ,

sem qualquer ajuda externa , sempre matou muito menos

que o homem .
















José Saramago _ As intermitências da morte _


Colette Calascione

sábado, janeiro 05, 2013

Côr de a tal glândula . . .




Uma
das mais bonitas histórias da América Latina conta que os deuses maias fizeram várias tentativas de criar a mulher e o homem , porque estavam muito entediados   e queriam ter com quem conversar . Então , fizeram de diferentes formas e fracassaram , era um desastre , até que encontraram a forma  . . .
de que a gente fosse a gente , feitos de milho . Os deuses maias nos fizeram de milho e por isso temos todas as cores , como o milho . Não o milho transgênico , nem o químico que nos estão vendendo agora.
Mas , antes de chegar no milho , os deuses maias tentaram , por exemplo , fazer a mulher e o homem de madeira e ficaram perfeitinhos , mas tinham um inconveniente  gravíssimo . . .  não respiravam, e como não respiravam, não tinham palavras para dizer, porque da boca não saía nada.
E eu sempre  pensei  se não respiravam , também não tinham desalento . Para ter fôlego , é preciso ter desalento . Para você se levantar tem que saber cair , para ganhar tem que saber perder . E temos que saber que assim é a vida e que você cai e se levanta muitas vezes , e que alguns caem e não se levantam nunca mais , geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar , as pessoas que mais dor sentem ao viver , as pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis.
Em contra  partida , esses filhos da p*** que se dedicam a atormentar a humanidade vivem vidas longuíssimas , não morrem nunca , porque não têm uma glândula , que na verdade é bem rara ,  e que se chama    consciência .



Eduardo  Galeano
Paul   Cadmus

terça-feira, janeiro 01, 2013

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Côr de dia 31




















Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano ,
Vive uma louca chamada Esperança .
E ela pensa que quando todas as sirenas ,
Todas as buzinas ,
Todos os reco-recos tocarem ,
Atira-se .
E
_ ó delicioso vôo !

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada ,
Outra vez criança ...

E em torno dela indagará o povo . . .
_ Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes ?
E ela lhes dirá  [  É preciso dizer-lhes tudo de novo ]
Ela lhes dirá bem devagarinhoz , para que não esqueçam . . .

_ O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA . . .




Mário Quintana
Amanda  Clark


Esperança . . .
bem segura nas mãos , e   no  coração ,  para que não desistamos , e , também , possamos  oferecê - la a   quem mais  dela  necessitar ...

domingo, dezembro 30, 2012

Côr de casaco de peles





Quando
esta   cena   deixará    de  ser ,  apenas  , um   mero   numero   de   circo ?

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Côr de água e mel




Entre os ramos de pinheiro
Vi o luar de Janeiro
Quando ainda havia sol
E numa concha da praia
Ouvi a voz que desmaia
Do secreto rouxinol

Com água e mel
Comi pão com água e mel
E do vão duma janela
Beijei sem saber a quem
Tenho uma rosa
Tenho uma rosa e um cravo
Num cantarinho de barro
Que me deu a minha mãe

Fui p´la estrada nacional
E pela mata real
Atrás dum pássaro azul
No fundo dos olhos trago
A estrada de Santiago
E o cruzeiro do sul

Abri meus olhos
Abri meus olhos ao dia
E escutei a melodia
Que ao céu se eleva de pó
Do vinho novo
Se provei o vinho novo
Se amei o rei e o povo
Meu Deus por que estou tão só

quarta-feira, dezembro 26, 2012