A _ cor _ dar , é preciso !


quarta-feira, novembro 26, 2014

sábado, novembro 22, 2014

Côr de florescer




















E
houve   um  dia   em  que   o   risco   de  ficar   presa  
num  botão ,   foi  mais   doloroso   do   que   o  risco   
de  florescer .




Anaïs  Nin 
imagem _ Marta Orlowska _

 

Todos   nós   já   enfrentamos   algo   semelhante  . . . 
a  resistência  à   mudanca ,  sobretudo  a  interior , 
pode   tornar -se   mais  dolorosa  do  que  a  do medo
do  salto  para   o  desconhecido !

terça-feira, novembro 18, 2014

Côr de musica que gosto

Man is for the woman made

Côr de na palma da mão




















Levo-te na palma da mão,
fechada , com  medo  que  quebres  e  sofras  dos
 males  do  mundo !

Levo-te  fechado ,  aninhado  mas  sempre tangível  ,
e  de  quando  em  vez,  quando  te  tocam  com  a 
ponta do  dedo ,
e  te   mostram um  doce  sorriso
amotinas-te , pululas  acelerado ,  descompassado
e  é impossível  conter-te .
Sais , passeias-te  alegre  como  se  atravessasses   
 campos  dourados  semeados  de  trigo ,
ou  dançasses  em  verdes  prados  ou sob azuis 
 mais  intensos.
E fluis, e rebolas pelas colinas, e banhas-te em 
riachos  de água  fria e, sorris … és feliz.
És simplesmente, feliz.
Pouco te importa o contratempo, a chuva, o trovão ,
 o mau tempo …. És feliz!
Mas quando te feres e sangras
Nas pedras que a vida semeia ,
recolhes nas mãos que te cuidam , as mãos que te sanam a ferida ,
que te afagam e te aquecem e te servem de ermida ,
que te embalam até à próxima partida.

É impossível conter-te no peito!










sábado, novembro 15, 2014

Côr de mãos de vidro






























Das tuas mãos de vidro, carregadas
De jóias tilitantes e doentes,
Das palavras que trazes afogadas ,
Das coisas que não dizes mas entendes . . .

Do teu olhar virado às madrugadas
De fantásticos e exóticos orientes,
Do teu andar de tule, das estocadas
Dos gestos que não fazes mas que sentes  . . .









José  Carlos  Ary  dos  Santos

sexta-feira, novembro 07, 2014

Côr de posição de firme





















Havia   sido   pedreiro   desde  menino  .
Quando   fez   dezoito   anos ,   o  serviço   militar   obrigou - o   a   interromper   o  ofício .
Foi  destinado  à   artilharia .
Um   dia ,  num   treino   de   canhão ,  mandaram  que   disparasse  contra   uma   casa   vazia . Ele   tinha   aprendido  a  fazer  pontaria ,  e   todo  o  resto .  Mas   não  conseguiu .  E  aos   gritos   repetiram  a  ordem . Mas  não .  Não  teve  geito .  Não  disparou .
Ele  havia   construído  muitas  casas   como  aquela .
Teria  podido   explicar  que  uma   casa  tem  pernas , afundadas  na   terra ,  e   tem  cara  ,  como  nos  desenhos   das   crianças ,  olhos  nas   janelas ,  boca  
na   porta ,  e  tem  em   seus   adentros   a  alma   que   lhe  deixaram   os  que  a  fizeram   e  a   memória  de   quem  a  viveu .
Teria   podido   explicar  tudo  isso , mas   não  disse  nada . 
Se   tivesse  dito ,  seria  fuzilado  por  imbecil .
Plantado  em   posição  de  firme ,  calou  a  boca . . .  
e   foi  parar  no  calabouço .

Numa   fogueira  das  serras  argentinas ,  numa   roda  de  amigos ,  Carlo  Barbaresi  conta  essa  essa  estória  do  seu  pai .
Aconteceu   na   Itália ,  nos  tempos  de   Mussolini .







Eduardo   Galeano _  Bocas  do  Tempo  _
imagem  _ Rozanne Bell  _