A _ cor _ dar , é preciso !
sábado, maio 23, 2015
Côr de maçã menina
No
alto do ramo ,
alta no ramo mais alto ,
uma tão rosa maçã . . .
esqueceram - na os apanhadores da fruta.
Esqueceram -na ?
Não !
Mãos não tiveram . . . para a colher .
Safo
imagem _Kate MacDawell _
domingo, maio 17, 2015
terça-feira, maio 12, 2015
Côr de uma asa
Noite fora , noite fora ,
acordaremos , já sei , transparentes e sábios ,
do outro lado da criação do mundo . . .
uma mão presa à luz outra nas trevas ,
um só tronco de chamas , uma asa .
António Franco Alexandre
imagem _ _ Albrecht Durer _
domingo, maio 10, 2015
Côr de vais ver
Cruzamos
os nossos olhos em alguma esquina ,
demos civicamente os bons dias ,
chamar - nos - ão , vais ver , contemporâneos .
Ruy Belo
imagem _ Herbert Bayer _
terça-feira, maio 05, 2015
Côr de fotografia
Chinolope vendia jornais e engraxava sapatos em
Havana.
Para deixar de ser pobre , foi-se embora para Nova Iorque.
Lá , alguém deu - lhe de presente uma máquina de fotografia.
Chinolope nunca tinha segurado uma câmara nas
mãos, mas disseram - lhe que era fácil . . .
_ Você olha por aqui e aperta ali _.
E ele começou a andar pelas ruas.
Tinha andado pouco quando escutou tiros e se
meteu num barbeiro e levantou a câmara e olhou
por aqui e apertou ali .
Na barbearia tinham baleado o gângester
José Anastasia , que estava fazendo a barba .
E aquela foi a primeira foto da vida profissional
de Chinolope.
Pagaram uma fortuna por ela.
A foto era uma façanha.
Chinolope tinha conseguido fotografar a morte.
A morte estava ali . . . não no morto , nem no matador.
A morte estava na cara do barbeiro que a viu.
Eduardo Galeano _ O livro dos abraços _
Imagem _ Loui Jover _
sexta-feira, maio 01, 2015
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