A nossa natureza É tão mesquinha, orgulhosa e ambiciosa . Tão cheia dos seus próprios apetites, julgamentos e opiniões Que se as tentações não a dominassem ... ela se deterioraria irremediavelmente ! Portanto Somos tentados, até ao fim ... para que nos possamos conhecer e sermos ... Humildes .!
Considerada a mais antiga das artes , pois é a única que dispensa materiais e ferramentas. Só o corpo !
Ao longo da história foi-se aprimorando . O que era associado mais a manifestações ... _de conquista amorosa ; celebração de caçadas e mesmo guerreiras; solicitações aos deuses _ Foi-se tansformando ... numa manifestação estética .!
Sei que estás em festa pá
Fico contente .
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim .
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim.
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar .
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar .
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente .
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim !
Chico Buarque _1975 _
Foi bonita a festa pá
Fiquei contente .
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim .
Já murcharam tua festa, pá .
Mas certamente,
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim .
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar .
Canta a primavera, pá
Cá estou carente .
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim!
Acredito Que esta Senhora nos possa dizer o que é viver sem ou com ... Liberdade . Aproveitei este dia ... para falar d' Ela.
Sei , que antes de mais, ela tem que existir dentro de nós . Sei que temos que a conquistar e sermos responsáveis por ela. E Sei, que esta ninguém a rouba !
Mas, tanbém, sei Que Se muitos morreram em prol d'Ela Significa que Ela é ... Essencial .! E que é o bem mais precioso que o Homem pode ter ! E Que o permite desfrutar de outros bens.
Mas só quem viveu sem ela, pode e tem os argumentos devidos para se manifestar. Porque para os outros, Liberdade, não passa de uma palavra, ou quando muito, de uma ideia .!
De repente , O meu corpo , pedia , com urgência, um abraço . Tinha necesidade ... Da magia da união de corpos, de auras . Lembrar o calor das mãos acariciando as costas, como a dizer _ Estou aqui _ !
E só pude pensar em Ti ... na tua Energia e Sensibilidade. Em Ti , que sabes entender o porquê ... Desta vontade de Abraço .!
_ Ajuda-me.! Dá-me livros, daqueles que um homem, depois de lê-los, não encontre sossego. É preciso meter-lhes um ouriço debaixo do crânio, um ouriço com os espinhos aguçados! Diz à tua gente da cidade, que escreve para vocês, que escreva , também, para o campo! Que o façam de tal maneira que o campo ferva como pez, que o povo se lance na luta para a vida ou para a morte! _ Levantou o braço e, pronunciando distintamente cada palavra disse em voz surda ... _ Curar a morte com a morte, aí está! Portanto é preciso morrer, para que os homens ressuscitem . E que morram milhares para que ressuscitem milhões em toda a Terra . Aí está. É fácil morrer . Que os homens ressuscitem , que se levantem ! _
A Mãe trouxe o samovar, olhando Ribine de soslaio .! . . .
Um dia Ele chegou tão diferente Do seu jeito de sempre chegar . Olhou-a de um jeito muito mais quente Do que sempre costumava olhar .
Não mal disse a vida tanto, quanto era seu jeito de sempre falar.
E nem deixou-a só num canto Para seu grande espanto, Convidou-a para rodar. E Então ela se fez bonita Como há muito tempo não queria ousar . Com seu vestido decotado, cheirando a guardado, de tanto esperar.
Depois os dois deram-se os braços Como há muito tempo não se usava dar . E Cheios de ternura e graça Foram para a praça e começaram-se a abraçar . E Ali dançaram tanta dança Que a vizinhança toda despertou . Foi tanta felicidade Que toda a cidade , se iluminou.
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos Como não se ouvia mais .
Que o mundo compreendeu E o dia amanheceu Em . . . Paz .!
Ai que prazer Não cumprir um dever . Ter um livro para ler e não o fazer .
Ler é maçada Estudar é nada.
O sol doira sem literatura . O rio corre bem ou mal, sem edição especial . E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal Como tem tempo, não tem pressa.
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma .
Não Percamos certas coisas da vida, Sò porque não estão " embrulhadas " da forma que esperàvamos .
Os valores valem por si ... não pelo seu invólucro. Os valores valem por si ... não pela forma como são ditos ou escritos. Os valores valem por si ... sim, na atitude da sua aceitação e cumprimento.
E mais, os valores são universais. Não têm pátria. Não têm lingua.
Têm sim uma alma que os aninha e um coração que os executa. Sem grandes parangonas E Por vezes, silenciosamente .!
Tendo-me despido de todos os meus mantos. Tendo -me separado de adivinhos, mágicos e deuses, Para ficar sòzinha ante o silêncio, Ante o silêncio e o esplendor da tua face.
Mas tu és de todos os ausentes ... o ausente. Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca.
O meu coração desce as escadas do tempo onde não moras . E o teu encontro São planicies de silêncio .
Escura é a noite. Escura e transparente.
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco.
E eu não habito os jardins do teu silêncio, Porque tu és de todos os ausentes ... o Ausente .!
Existe no gato A liberdade da paciência , A calma sonolenta que o mantém desperto , Um saber viver que o eleva a mestre , Uma arte, suprema , no sublimar do seu saber
Talvez o gato seja mesmo como a esfinge Um gardião dos mistérios inacessiveis .
É passaro, tem asas douradas, mas não voa. O seu voo faz-se em terra ... nos seus olhos, no seu brilho que o eleva acima de nós. Ficando numa terra banhada pelo éter, Mundo que detém e na sua subtileza transporta .!
Ensaia um sorriso e Oferece-o a quem não teve nenhum. Agarra um raio de sol e Desprende-o onde houver noite. Descobre uma nascente e Nela limpa quem vive na lama . Toma uma lágrima e Pousa-a em quem nunca chorou. Ganha coragem e Dá-a a quem não sabe lutar. Inventa a vida e Conta-a a quem nada compreende. Enche-te de esperança e Vive á sua luz. Enriquece-te de bondade e Oferece-a a quem não sabe dar. Vive com amor e Fá-lo conhecer ao Mundo.!
Ao longo da muralha que habitamos, Há palavras de vida , há palavras de morte Há palavras imensas que esperam por nós E outras frágeis, que deixaram de esperar.
Palavras que nos sobem ilegíveis ... Á boca . Palavras diamantes, palavras nunca escritas.
Palavras impossiveis de escrever ... Porque não temos connosco cordas de violinos , Nem todo o sangue do mundo , nem todo o amplexo do ar .
E entre nós e as palavras , o nosso dever ... falar .
Mário Césariny
A palavra foi e sempre será necessária. Mas será sempre um instrumento manipulador. A sua função deveria ser ... provocar o entendimento entre os Homens .! Nem sempre acontece .
Daí , a necessidade de recorrer ao Silêncio ... para tentarmos ... o ... Porquê .!
Podes Continuar a exceder todas as expectativas . Mas ... a tua avaliação , depende sempre ... da Sabedoria de quem avalia. E Quanto a isso ... Nada podes fazer ... .!
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta Estavas grávida, porém não recusaste . Porque a tua lição é esta ... fazer frente .
Pois não deste homem por ti , E não ficaste em casa a cozinhar intrigas , Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres . Nem usaste de manobras ou de calúnia , E não serviste, apenas, para chorar os mortos.
Tinha chegado o tempo Em que era preciso que alguém não recuasse.
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro .
Porque eras a mulher e não somente a fêmea . Eras a inocência frontal que não recua .
Antigona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instantes em que morreste.
E a busca da justiça continua . . . .!
Sophia de Mello Breyner Andresen
É ... a busca da justiça continua ... e de quando em vez ... precisamos de ter um pouco de ... Catarina .!
Ser a moça mais linda do povoado . . . Um vestido de chita bem lavado, Cheirando a alfazema e a tomilho.
Com o luar matar a sede ao gado Dar ás pombas o sol num grão de milho.
Ser pura como a água da cisterna Ter confiança numa vida eterna Quando descer à " terra da verdade " . . . Dou por elas . . . Todos os meus reinos de ansiedade .