A _ cor _ dar , é preciso !
domingo, janeiro 31, 2010
sábado, janeiro 30, 2010
Côr de Altamira .

A primeira vez que visitei as grutas de Altamira , foi numa viagem de estudo .
Gostei , e muito .
Naquele mesmo dia , prometi - me voltar, mas sozinha
Não queria apenas vê -las , queria senti-las . Sentir a magia que o local encerra , para lá das esplêndidas pinturas .
Anos depois , fui .
Então , deixei-me sentir ou quase possuir pela vida ali vivida há milhares de anos .
Pela tal magia pressentida antes .
Imaginei que aquelas pinturas não eram apenas para
" aprisionar" o futuro alimento , mas também , para perpetuar os companheiros de solidão e medos .
E senti , sobretudo , que aquele ser chamado de homem primitivo , é jovem , comparado com os velhos que somos nós .
quinta-feira, janeiro 28, 2010
terça-feira, janeiro 26, 2010
Côr de ... te calei .
domingo, janeiro 24, 2010
sábado, janeiro 23, 2010
Côr de novos portões .

/
Deus do céu, vão mesmo conseguir fechar todas as portas? Sim, vão. Fecham as portas, comprimindo a multidão de pessoas amontoadas e empurradas para trás. Pelas estreitas aberturas no topo, vêem-se cabeças e mãos que mais tarde acenarão para nós quando o comboio partir.
Queria dizer apenas o seguinte ... a miséria aqui é realmente terrível e, ainda assim, à noite, quando o dia caiu num abismo atrás de mim, costumo caminhar a passo enérgico ao longo do arame farpado e, nessas alturas, volta a assolar-me o sentimento de que esta vida é algo de glorioso e magnífico e que, um dia, teremos de construir um mundo totalmente novo. E quantos mais delitos e horrores se derem, mais amor e bondade teremos de oferecer em contrapartida, sentimentos que temos de conquistar dentro de nós. Podemos sofrer, mas não podemos sucumbir. E se escaparmos a estes tempos ,imaculados no corpo e na alma, mas sobretudo na alma, sem rancor, sem ódio, então, também nós teremos algo a dizer.
Etty Hillesum _ Cartas [ excerto ] _
" Saberá " ela que os campos continuam , ainda que os portões sejam fechados por outras mãos ?
Queria dizer apenas o seguinte ... a miséria aqui é realmente terrível e, ainda assim, à noite, quando o dia caiu num abismo atrás de mim, costumo caminhar a passo enérgico ao longo do arame farpado e, nessas alturas, volta a assolar-me o sentimento de que esta vida é algo de glorioso e magnífico e que, um dia, teremos de construir um mundo totalmente novo. E quantos mais delitos e horrores se derem, mais amor e bondade teremos de oferecer em contrapartida, sentimentos que temos de conquistar dentro de nós. Podemos sofrer, mas não podemos sucumbir. E se escaparmos a estes tempos ,imaculados no corpo e na alma, mas sobretudo na alma, sem rancor, sem ódio, então, também nós teremos algo a dizer.
Etty Hillesum _ Cartas [ excerto ] _
" Saberá " ela que os campos continuam , ainda que os portões sejam fechados por outras mãos ?
E que hoje , Deus poderá estar a ler uma carta semelhante ?!
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Côr de Lhasa de Sela .

Um Ser que tinha algo de fugidio ... fugiu de vez !
Deviamos aceitar a morte como o nascimento , pois ela nasce com ele .
Teoricamente tudo está estruturado , pelo menos para mim .
Vezes há , porém , que ainda somos acometidos de um certo espanto , e muitas vezes doloroso .
Neste caso , esse espanto aconteceu .
quinta-feira, janeiro 21, 2010
sábado, janeiro 16, 2010
Côr de lado esquerdo .

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos , dos cristais.
E então , das duas uma ...
partem -se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme , pensa ...
o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim , deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo,
E então , das duas uma ...
partem -se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme , pensa ...
o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim , deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo,
esmagar o coração.
*
Carlos de Oliveira
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Côr de cansaço , muito .

Não , não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento ,
Um feriado passado no abismo...
Não , cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente ,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um , e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso ... é cansaço!...
Álvaro de Campos
Muito ... mesmo muito ... !
domingo, janeiro 10, 2010
sábado, janeiro 09, 2010
Côr de choro meu .
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Côr de nos baste .
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade.
E dizem-se palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável ...
O contorno , a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
José Saramago
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade.
E dizem-se palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável ...
O contorno , a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
José Saramago
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Côr de Deus sabe .

Não sei quantas almas tenho.
Fernando Pessoa
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só.
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo _ Fui eu ? _
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só.
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo _ Fui eu ? _
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
domingo, janeiro 03, 2010
sexta-feira, janeiro 01, 2010
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