A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, julho 20, 2013

Côr de . . . coração




















 

 Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais são seus objetivos.
Devagar, ele começa a aprender... a   princípio , pouco
a pouco , e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca
é o que ele imaginava , de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa , e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito toma-se um campo de batalha .

E assim ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais. . .  o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas
do caminho, rondando , à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.

_ E o que pode ele fazer para vencer o medo?

– A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo , e , a despeito dele , deve dar o passo seguinte na aprendizagem , e o seguinte , e o seguinte. Deve ter medo , plenamente , e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito toma-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz , o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural .


_Uma vez que o homem venceu o medo , fica livre dele
o resto da vida , porque, em vez do medo , ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então , o homem já conhece seus desejos ,  sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta.
E assim ele encontra seu segundo inimigo ...  a clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter , elimina o medo, mas também cega .

Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro , e não para diante de nada , porque é claro. Mas tudo isso é um engano , é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta , terá sucumbido a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender qualquer coisa mais.


_ Mas o que tem de fazer para não ser vencido?

_Tem de fazer o que fez com o medo... tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos , deve pensar , acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder.

Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está às suas ordens. Seu desejo é ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontra seu terceiro inimigo ... o  poder !
O poder é o mais forte de todos os inimigos. E , naturalmente, a coisa mais fácil é ceder . . . afinal de contas , o homem é realmente invencível. Ele comanda . Começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras , porque é um senhor .
 
_E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo , Dom Juan ? 

_Também tem de desafiá-lo , propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que  parece ter adquirido na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões , tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder , sem controle, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então , saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo.
O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo. . . a velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos , o único que ele não conseguirá derrotar completamente , mas apenas afastar.
É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito... um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido a última batalha , e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda a sua clareza , seu poder e sabedoria .

Mas se homem sacode sua fadiga e vive seu destino completamente , então poderá ser chamado de um homem de conhecimento , nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza , poder e conhecimento é o suficiente .
 
 
 
 
 
Carlos  Castaneda _  A  erva  do  diabo  ,  excertos  _
 
 
 
 
Depois ,
de  todas  estas lutas    ,  sabiamente ,  o   homem   dirá  . . .   Só   os   caminhos   que   tenham   coração   devem   ser  
percorridos  . . .
 
        


4 comentários:

Mariazita Azevedo disse...

Boa tarde, Maria
Muito obrigada pela sua presença na minha «CASA».
Acredito que tenha ficado emocionada com a história do marine. Aconteceu o mesmo comigo, quando a li a primeira vez (em inglês); e depois, ao traduzir/compor em português senti a garganta contrair-se.

Gostei muito destes excertos de Carlos Castaneda. São pensamentos muito válidos que revelam grande sabedoria sobre o ser humano.

Bom fim-de-semana.
Beijinhos
Mariazita

ONG ALERTA disse...

Caminhos feitos com amor...
Beijo Lisette.

AC disse...

Maria,
Li este livro já lá vão uns bons anos, creio que ainda anda para ali na estante. Curiosamente, ou talvez não, o excerto que escolheu é das poucas passagens que me ficaram na memória.

Beijo :)

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Não li esse livro, mas deve ser interessante,por este pequeno texto que dá para reflectir.

Um beijinho com carinho
Sonhadora