A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Côr de lua surda

















A
lua  morria  de  vontade de  visitar  a  terra .
Depois  de  muito  hesitar ,  deixou - se  cair .
Tinha  vindo  só  por  um  bocado ,  mas  ficou  presa  na  copa  de  uma  árvore  quando   iniciou  a   viagem  de  regresso   ao  céu .
A  lua  pensou  que  nunca  mais  se  iria  libertar  daquela  prisão  de  ramos e sentiu - se  horrivelmente  sózinha ,  mas   teve  a  sorte  de  ver  aparecer   um  lobo ,  vindo   das  profundezas  da   selva , e  o  lobo  passou  toda  a  noite  a  brincar  com  ela ,  acariciando - a  com  o  focinho ,  fazendo - lhe  coceguinhas  na  branca  barriga  e  contando -  lhe  anedotas  que  nem  eram   nada  más  .
Pouco  antes  do  amanhecer ,  o  lobo  ajudou - a   a  libertar - se  da  ramagem ,  e  a  lua  partiu ,  céu   acima .
Mas   não  foi   sozinha   . . .   tinha  roubado  a  sombra  ao  lobo, para que ele nunca mais  se  esquecesse daquela noite compartilhada.
Por  isso  o  lobo  uiva .
Está  a  suplicar  à  lua   que  lhe  devolva  a  sombra  roubada .
A  lua  faz -se  de  surda  .





Eduardo  Galeano  _  O  caçador  de  histórias  _
imagem  _  Michael   Parkes  _ 

4 comentários:

CÉU disse...

Olá, querida amiga!

Que história interessante! Então, os lobos de k ouvimos falar só comem meninas de chapelinho vermelho. a lua tem um branquinho, pois já se vê.

É preciso mta imaginação por parte do autor para explicar porque uivam os lobos. Enfim, a lua tem os seus caprichos.

Beijos e um bom fim de semana.

Mariazita disse...

Olá, Maria
Que história linda! Muito semelhante a uma lenda, e lendas fazem as minhas delícias!
Essa imagem do lobo fazendo coceguinhas e festinhas na barriga da lua é deliciosa.
Adorei, mesmo!

Bom final de Domingo
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS


Maria Rodrigues disse...

Linda e interessante história.
Boa semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

AC disse...

Galeano, que talento! Maravilhoso, Maria!

Um abraço :)