A _ cor _ dar , é preciso !


sábado, março 07, 2009

Côr de jardineiro que somos .


Todo
jardim começa com uma história de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago contruído ,
é preciso
que eles tenham nascido dentro da alma .

Quem não planta
jardim por dentro, não planta jardins por fora
e
nem passeia por eles
!



Rubem Alves

sexta-feira, março 06, 2009

Côr de andorinhas .



Era uma tarde ensolarada de final de Inverno.
Por detrás da vidraça, apoiando o queixo na mão aberta e o cotovelo no peitoril da janela, estavam uns olhos claros, num rosto de serenidade, contemplando o horizonte.
Era um prédio alto, numa zona alta da cidade, o que permitia ver os telhados de outras casas mais baixas e ainda abria espaço para muito céu.
Quem se comportava de tal modo absorto, era artista.
Só podia ser.
Sorriu
!

Um bando de andorinhas chilreava e volteava quase diante da sua janela
!

Que encanto
!
Sentiu-se despertar.
As andorinhas pousavam nos fios de electricidade e assim colocadas parecia que escreviam uma pauta musical.
Depois levantavam voo e dançavam alegremente.
Uma delas pousou num telhado bem próximo daquela janela.
E tudo começou
!

Era um diálogo entre uma humana e uma ave, mas resultou.
_ Andorinha , gosto tanto de ti, tens um ar tão doce, como gostaria de te pintar...
Importas-te de posar para mim
?
_
A andorinha sentiu-se lisongeada , alisou as penas da asa , endireitou a cabecita e ali permaneceu enquanto decorria a pintura.
Bem lhe custava estar tanto tempo parada enquanto as amigas se divertiam, mas queria ser generosa
Acabado o trabalho, a artista pousou os pinceis, agradeceu fervorosamente à andorinha que esperava para ver a obra.
Mostrou-lhe o retrato.
A andorinha fixou os dois olhitos, saltitou para mudar de posição e sentiu o seu coraçãozito bater acelaradamente.
Levantou voo e foi ver o seu reflexo numa janela próxima.
Não podia ser
!
Naquela folha branca estava algo diferente de si !
Aquele olho era igual ao de uma sardinha assada que ela tinha visto...
As suas asitas , penteadas com tanto primor, tinham ficado espalmadas e o seu corpo transformado numa sequência de espinhas...
Afinal naquela obra-prima ela era Uma Andorinha no Espeto
!
Inspirou profundamente e sem olhar para trás voou para bem longe, assustada.
Quando pousou no alto de uma palmeira e se sentiu em segurança tentou recompor-se. Repousou a cabeça na lágrima de Cristo que lhe adornava o peito e ainda pensou ...
Coitadita da pintora ... se calhar estava com fome
!


Este texto foi escrito e oferecido por uma amiga , pois só amigos brincam e sabem fazê-lo .
Obrigada M. F . pela prosa poética .

Entretanto , fiquei a pensar na a
vezita e no trauma que posso ter provocado .
Procurei-a _ demorou uns dias _ mas consegui encontrá-la .
Pedi-lhe que tentasse perceber que nem sempre aquele que pinta transmite a relidade dos outros , mas a sua , no momento .
Mas queria compensá-la ...

Recorri a outro registo ...
e
deste gostou.
Ficamos amigas , como convem , entre os animais
!

quarta-feira, março 04, 2009

Côr de olhos de poeta .



Ela entrou , deitou-se no divã e disse _ acho que estou a ficar louca _.

Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.

_ Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria!

Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes , cortar cebolas.

Acto banal sem surpresas.

Mas , cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles , tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.

De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista!

E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto.

_ Ela se calou, esperando o meu diagnóstico_ .

Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales" , de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e disse ... _ Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas _.

Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro ... 'Rosa de água com escamas de cristal'.

Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".


Rubem Alves

terça-feira, março 03, 2009

Côr de muito carinho .



O coração da tera está doente !

E toda a forma de vida existente nela sofre da mesma doença.
A chamada ressonância Shumann está alterada .
E dessa alteração , o desiquilibrio alastra por todo este belo planeta azul .

Gaia precisa de adquirir , nóvamente , a sua chamada normalidade.
Mas assim como nós precisamos dela ela necessita de nós.

Temos que reapreender a fazer tudo sem pressas , com mais serenidade , com mais harmonia e amor .
Temos que ter a coragem de ser anticultura dominante , que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efectivos .

Precisamos de respirar junto com a Terra ... para conspirar com ela pela paz.

Mas tudo isto com muito suavidade e carinho.

segunda-feira, março 02, 2009

Côr de centro do universo .



Iniciou e terminou o programa Câmara Clara com este interprete _ David Bowie .

Raramente deixo de assistir a este programa , porque raramente os temas tratados não são interessantes .
É evidente que uns me dizem mais que outros, como ao comum dos mortais .
Não sou perdidamente fã de astronomia , mas a forma como o assunto foi conduzido _ o que acontece com frequência _ prendeu-me .
Rendi-me à ultima fala da cientista Rosa Doran , sobretudo à parte final , que diz mais ou menos isto ... acerca do caminho evolutivo que a Terra tem vivido até ao momento ...

_ Passamos de uma época em que a terra era o centro do Universo , depois o Sol em seguida a nossa Gláxia.
Agora já não há centro.
O Universo é uma coisa enorme ou se calhar um pequeno pedaço cheio de pequenos centros de outros universos ...

Mas é necessário termos centro dentro de nós , que nos permita deixar de ser o centro do universo

domingo, março 01, 2009