A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sexta-feira, março 06, 2009

Côr de andorinhas .



Era uma tarde ensolarada de final de Inverno.
Por detrás da vidraça, apoiando o queixo na mão aberta e o cotovelo no peitoril da janela, estavam uns olhos claros, num rosto de serenidade, contemplando o horizonte.
Era um prédio alto, numa zona alta da cidade, o que permitia ver os telhados de outras casas mais baixas e ainda abria espaço para muito céu.
Quem se comportava de tal modo absorto, era artista.
Só podia ser.
Sorriu
!

Um bando de andorinhas chilreava e volteava quase diante da sua janela
!

Que encanto
!
Sentiu-se despertar.
As andorinhas pousavam nos fios de electricidade e assim colocadas parecia que escreviam uma pauta musical.
Depois levantavam voo e dançavam alegremente.
Uma delas pousou num telhado bem próximo daquela janela.
E tudo começou
!

Era um diálogo entre uma humana e uma ave, mas resultou.
_ Andorinha , gosto tanto de ti, tens um ar tão doce, como gostaria de te pintar...
Importas-te de posar para mim
?
_
A andorinha sentiu-se lisongeada , alisou as penas da asa , endireitou a cabecita e ali permaneceu enquanto decorria a pintura.
Bem lhe custava estar tanto tempo parada enquanto as amigas se divertiam, mas queria ser generosa
Acabado o trabalho, a artista pousou os pinceis, agradeceu fervorosamente à andorinha que esperava para ver a obra.
Mostrou-lhe o retrato.
A andorinha fixou os dois olhitos, saltitou para mudar de posição e sentiu o seu coraçãozito bater acelaradamente.
Levantou voo e foi ver o seu reflexo numa janela próxima.
Não podia ser
!
Naquela folha branca estava algo diferente de si !
Aquele olho era igual ao de uma sardinha assada que ela tinha visto...
As suas asitas , penteadas com tanto primor, tinham ficado espalmadas e o seu corpo transformado numa sequência de espinhas...
Afinal naquela obra-prima ela era Uma Andorinha no Espeto
!
Inspirou profundamente e sem olhar para trás voou para bem longe, assustada.
Quando pousou no alto de uma palmeira e se sentiu em segurança tentou recompor-se. Repousou a cabeça na lágrima de Cristo que lhe adornava o peito e ainda pensou ...
Coitadita da pintora ... se calhar estava com fome
!


Este texto foi escrito e oferecido por uma amiga , pois só amigos brincam e sabem fazê-lo .
Obrigada M. F . pela prosa poética .

Entretanto , fiquei a pensar na a
vezita e no trauma que posso ter provocado .
Procurei-a _ demorou uns dias _ mas consegui encontrá-la .
Pedi-lhe que tentasse perceber que nem sempre aquele que pinta transmite a relidade dos outros , mas a sua , no momento .
Mas queria compensá-la ...

Recorri a outro registo ...
e
deste gostou.
Ficamos amigas , como convem , entre os animais
!

4 comentários:

Renata Carneiro disse...

Depois de ler o pequeno conto e sorrir recordo-me de toda a controvérsia da pequena andorinha desde o inicio: a sua busca, o seu nome e criação da mesma, por entre as cores aguareladas e todo o rebuliço encantador que por entre gargalhadas se comentava; sim é uma andorinha!

Parabéns as duas!

FA disse...

Está sanada a questão. Ressuscitou-se a andorinha e deu-se-lhe o aconchego da mão!

Lilazdavioleta disse...

Renata,
obrigada .
beijinhos

Lilazdavioleta disse...

FA , bom dia .
Mas é completa .
Critica arte com arte e comenta versejando.
Obrigada.
Beijo grande :)