A _ cor _ dar , é preciso !


sexta-feira, agosto 20, 2010

quarta-feira, agosto 18, 2010

Côr de Oração Simples .


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Num dia longínquio tinhamos estados todos nus , desarmados , frágeis .
Nesse dia , o nosso olhar tinha sido o mesmo . Um olhar olhar desprovido de preconceitos , brilhante de alegria .
Havia algo de pungente nessa imagem . Afinal , pensei enquanto subia o monte , para se deixar de odiar , bastaria ver as pessoas assim .
Comoção e compaixão .
Comoção pela nudez , compaixão pela fragilidade .
A mesma comoção e compaixão que sentia por todas as existências que continuavam a ignorar-se a si mesmas .
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Crescer não significa esquecer o estado de recém nascido , mas reassumi - lo .

Quando cheguei ao cimo do monte , o vento começou a soprar e a temperatura desceu .
Lá em cima percebi que a morte já não me metia medo , porque morte e vida são duas formas de existir .
De repente o vento parou e começou a nevar .
Então , decidi voltar .
Pouco antes do convento , encontrei um veado com umas astes enormes . Roçava o pescoço e o focinho contra a casca de uma arvore . Julgava que ia fugir , ao ver - me , mas ficou quieto . Tinha uns olhos extraordinariamente negros e brilhantes . Não tinha medo , no seu olhar não havia julgamento ou desafio , observava - me apenas .
_ Os homens gostam de matar os animais porque têm inveja da sua graça natural _ dissera - me uma vez a irmã Irene .
Quando o veado se mexeu , pensei que ela tinha razão . Havia uma Graça no mundo vivo , e o homem fazia tudo para ser excluído dessa Graça .
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Fiquei junto da irmã toda a tarde e toda a noite .
No dia seguinte , satisfazendo as suas ultimas vontades ,
envolvi - lhe o corpo num pano branco .
Tive que tirar com a pá alguma neve antes de chegar à terra , e alguma terra antes de conseguir sepultá - la .
Ela tinha - me dado uma folha de papel para eu ler . Era a oração simples de S . Francisco .
Quando li ... ... _ é - se perdoado .
Morrendo , ressuscita - se para a verdadeira vida _
a neve voltou a cair .


Susana Tamaro _ A alma do Mundo _

segunda-feira, agosto 16, 2010

Côr de bilhete a Deus .


*
Meu Pai , meu Filho , meu Espirito Santo .

Estendo as mãos à caveira da noite , e a criatura que sou consome - a a areia de vidro do tempo . Nada digo que não te pertença , nada escrevo que não corra à eternidade .
De cada vez que caio subo mais alto , e ao reencontrar - te , voo acima de mim mesmo . Aquieto - me contigo , com o pão e o vinho , e não há luz que pese como o absoluto cristal do ar .
Mas quando o teu rosto se afasta , e a treva se desdobra , o Mundo fica um caroço de mágoa que endurece no lugar do coração .
Livra - me da tua ausência . Fica comigo enquanto o dia acaba .

Mário Cláudio ( escritor ) _ Cartas a Deus _

quinta-feira, agosto 12, 2010

Côr de ... cortar a direito .



Os amigos recordam - no , saudosos , como um homem recto , cidadão que , face a contrariedades , não perdoava ...
Se os calos o magoavam , vik ! Se lhe doíam os dentes , vuk !
A ultima vez que foi visto , queixara - se de uma leve dor de cabeça .

*
Augusto Baptista _ O homem que _

terça-feira, agosto 10, 2010

Côr de alegre serenidade .


O bailado ,
acompanhado dos seus tão peculiares gritos , demonstrando alegria , pela chegada de um barco pesqueiro .


Fazendo pose ,
sem qualquer medo da câmara .