
Na doce paz da tarde que declina,
Após a faina sob um sol ardente
Vão os bois recolhendo lentamente,
Pelas vias desertas da campina.
Atavessam depois a cristalina ribeira
E ao flébil som da água corrente,
Bebem sedentos, demoradamente,
Numa sensual rudeza que os domina.
Mas quando fartos de água, erguendo as frontes,
Os beiços escorrendo, olham os montes
E ouvem ao alto os rouxinois,
Eu fico-me a cismar, calado e triste,
que um mundo de impressões, que uma alma existe
Nos olhos enigmáticos dos bois .!
Conde de Monsaraz
Desde sempre, quando os meus olhos se fixam nos dos bois,
vejo-lhes a alma.
Uma alma plena de doçura, tanquilidade e serenidade,
tal como o seu ruminar e lento andar.
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