A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, setembro 19, 2009

Côr de pecado de pensar .


/

Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim
me sentir como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços o meu pecado de pensar .
Clarice Lispector


Pecado ?! ... Sim . Continua a haver um certo " castigo " , para os que pensam . Mais ainda para as que pensam . E muitas vezes , dos mais próximos companheiros de caminhada .
É que misturado com uma certa admiração , há sempre apreensão ,
incómodo e medo
!

3 comentários:

Luis Filipe Gomes e Silvia Cunha Pedro disse...

"Não há machado que corte
a raiz ao pensamento..."
(António Gedeão)
"Duas cabeças pensam melhor que uma."
(Sabedoria popular)


Penso que a Clarice se referia aquele turbilhão de pensamentos a que os Budistas chamam Samsara e que impede cada um de nós de subir a um estado de consciência superior, acima desse ruído perpétuo que é o nosso pensamento. Parar o pensamento é meditar. Meditando se chega à consciência. É certo que eles não têm o conceito de pecado que os católicos têm. Explicam a punição das más acções com o Karma, uma espécie de bagagem que serve de lastro e retem os seres de vida para vida, antes de chegarem à Iluminação, uma espécie de energia primordial que na sua forma incurruptível toma o nome de Nirvana.
O que tu falas parece-me ser opressão, ou machismo. A Maria Teresa Horta (outra escritora que tenho de ler com urgência em profundidade) dizia há dias num programa de rádio que se um homem gostar de se relacionar intimamente com muitas mulheres é apelidado de viril se a mesma situação se passar com uma mulher é chamada de ninfomaníaca. Chamam-lhe pior digo eu.
Levará uns anos até que haja paridade entre homens e mulheres. Em Portugal o 25 de Abril de 1974 trouxe a consagração na lei da igualdade de direitos e opurtunidades para homens e mulheres, com as quotas talvez se chegue à execução da lei. O pior é o resto do Mundo a grande China, a Grande Índia, os países não laicos em que há religião de Estado, os países em que a escassez de tudo desprotege e relega as mulheres para a guarda da prole, por vezes a troco do direito à própria vida.
Maria,
por mim, pensa em voz alta. Para que eu te possa ouvir, ver, ler. Fazes-me bem!
Beijos.
Luís

Lilazdavioleta disse...

Bom dia Luis .
Concordo com o que diz António Gedeão .
Com a sabedoria popular, nem sempre .

Neste poema Clarice Lispector dirige-se a Deus , eu é que cortei grande parte do poema . ( é lindo )

Creio numa Entidade a que chamo Deus e nessa figura extraordinária , que é Jesus .
Mas como concordo com Helena Blavatsky , _Acima de qualquer religião há A Verdade _ vivo com aquilo que o meu eu , sente que é tal .
Aceito perfeitamente o Karma e o que se prende com ele .
*
O que falo ñ é de machismo . É daquela opressão que tem a ver com mtas coisas , entre elas falta de conhecimento .
Gosto muito , mesmo muito , de ser mulher . Tenho algumas amigas , e gosto bastante delas.
Mas prefiro lidar com homens .
Mas aqui ñ se põe apenas o sexo , e sim a inteligência , sensibilidade e respeito por si próprio .

Mas não estou alheia ao que se passa por esse mundo fora com muitas mulheres.E como me doi .
*
Qto ás quotas ... ñ tenho mta fé .

E para terminar , um dos poemas de Maria Teresa Horta , que gosto , e que terá que seguir só , é um pouco grande .

Um beijo Luis , e obrigada pela visita e palavras ,
Maria

Lilazdavioleta disse...

*
As mulheres voam
como os anjos .
Com as suas asas feitas
de cristal de rocha da memória ,
Disponíveis
para voar
soltas ...
Primeiro
lentamente ...uma por uma
Depois,
iguais aos pássaros
fundas ...
Nadando,
juntas
Secretas ... a rasar o chão
a rasar a fenda
da lua
no menstruo ,
por entre a fenda das pernas .
Às vezes é o aço
que se prende
na luz
A dobrarmos o espaço .
Bruxas ... pomos asas
em vassouras de vento
E voamos .
Como as asas
lhe cresciam nas coxas
diziam dela ...
que era um anjo do mar
Rondo alto,
postas em nudez de ombros
e pernas
perseguindo,
pelos espaços
lunares
da menstruação ,
e corpo desavindo .
Não somos violência
mas o voo ,
quando nadamos
de costas pelo vento
até à foz do tempo
no oceano denso
da nossa própria voz .
Sabemos distinguir
a dormir
os anjos das rosas voadoras .
pelo tacto ?
Somos os anjos
do destino ,
com a alma
pelo avesso
do útero .
Voamos a lua
menstruadas .
Os homens gritam ...
– são as bruxas
As mulheres pensam ...
– são os anjos
As crianças dizem – são as fadas

Fadas ?
filigrama cintilante
de asas volteando
no fundo da vagina .

Nadamos
De costas,
no espaço deste século .
Mudar o rumo
e as pernas mais ao
fundo ,
portas por trás
dobradas pelos rins .
Abrindo o ar
com o corpo num só golpe .
Soltas,
voando
até chegar ao fim .

Dizem-nos ...
que nos limitemos ao espaço .
Mas nós voamos
também
debaixo de água .

Nós somos os anjos
deste tempo .
Astronautas ,
voando na memória
nas galáxias do vento...
Temos um pacto
com aquilo que
voa

– as aves
da poesia
– os anjos
do sexo
– o orgasmo
dos sonhos

Não há nada
que a nossa voz não abra .

Nós somos as bruxas da palavra !


Bom domigo.
beijo,
Maria