A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, fevereiro 06, 2010

Côr de armadura .



Tenho andado à tua procura _ disse ao mago _ Há meses que ando perdido_
_ Toda a tua vida _ corrigiu Merlim .
/
O cavaleiro estava demasiado cansado ... e adormeceu .
Quando despertou , viu Merlim e os animais , todos em seu redor. Tentou sentar-se , mas estava muito fraco. Merlim estendeu - lhe uma taça de prata com um liquido de uma estranha cor .
_ Bebe isto _ ordenou _
_ O que é isto ? _ inquiriu o cavaleiro , mirando a taça com desconfiança .
_ Tens tanto receio _ constatou Merlim _
Claro ! Foi por essa razão que começaste a usar a armadura .
_ Está bem , eu bebo . Entorne-o pela minha viseira _
_ Nem pensar _ exclamou Merlim _ É precioso demais para ser desperdiçado.
Arrancou uma cana fina , pôs uma extremidade na taça e enfiou a outra num dos orificios da viseira do cavaleiro
Os primeiros golos pareceram amargos , os seguintes mais agradáveis e os ultimos tragos bastante deliciosos . Grato devolveu a taça a Merlim .
_ Devias vender esta coisa no mercado .Ficarias rico .
Merlim sorriu apenas .
_ O que é ? _ perguntou o cavaleiro .
_ Vida _
_ Vida ? _
Sim _ afirmou o mago . _ Não pareceu amargo no princípio , e depois , à medida que que lhe ias tomando o paladar , não se tornou agradável ?
O cavaleiro acenou com a cabeça . _ Sim , e os últimos foram absolutamente deliciosos.
_ Foi quando começaste a aceitar aquilo que bebias .
/
... ... ...
/
Quase morri « das lágrimas que não chorei » , pensava.
As lágrimas deslizavam pelo rosto, através da barba , até ao peito . E porque provinham do coração , eram extraordinariamente quentes , e depressa derreteram o que restava da armadura .


Robert Fisher _ O cavaleiro da armadura enferrujada .
[ Com muitíssimos cortes ]


Obrigada pelo presente , Amigo sem armadura .

2 comentários:

Luis disse...

Querida amiga em tempos escrevi.


O meu personagem


De manhã o despertador toca
Na minha mesa de cabeceira,
Como toca um clarim
Numa manhã de combate.

Ambos nos levantamos,
Eu e o meu personagem.

Eu dispo-me.
Ele veste-se.
Em gestos simultâneos.

Ele parte,
E leva-me consigo,
Como um guerreiro leva a sua identidade
Por trás da armadora
Ao longo da batalha,
Que se prolonga
Até ao cair da noite.

Regressamos.

Mais eu, do que ele.
Exaustos,
Ao ponto de ser eu
Que lhe tira a armadora,
E à medida que a tiro
E me descubro,
Cavo-lhe a sepultura.


Ainda hoje, sempre que posso, e às vezes sem o saber, lá vou cavando-lhe a sepultura.

Lilazdavioleta disse...

Amigo ,
todos , diariamente , fazemos esse gesto.
Se por acaso nos esquecemos , apercebemo-nos pelo comportamento dos que nos rodeiam .
E a sepultura ... isso é fatal , todos os dias cavamos mais um pouco .

Obrigada pela visita .
Maria