A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Côr de nome de trigo e silêncio .



*
Tinhas um nome de trigo e de silêncio .
E no círculo da tua íris a melancolia
de um verde leve e de um lilás suave.
O teu sorriso cintilava como o oiro da penumbra .
O vento da sombra despenteara-te os cabelos
e o negro ramalhete de uma madeixa esguia
pendia sobre a tua fronte pálida e indecisa .

Aproximei-me do teu rosto como uma vogal branca
e acariciei-o como se acaricia uma nascente de linho
ou uma pequena estrela limpa uma andorinha branca ,
e com os meus dedos soletrei-lhe todas as minúcias mágicas .

Pronunciou então o meu nome num murmúrio de seda ou como um óleo de lua .
O meu sangue deslizou sob uma chuva de pólen para o lábio de uma praia
entre a primavera e o outono da ternura .

Minha pequena estrela que julgara perdida .
Erguia-se da água com os ombros esguios ,
e da fonte dos ventos mais suaves
como uma ânfora de linfa ou um ramo de oiro pálido .

António Ramos Rosa

3 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Gosto deste escritor.
E este poema é delicioso.
Parabéns pela tua escolha e pelo bom gosto que sempre revelas.
Bom resto de semana, querida amiga.
Um beijo.

a magia da noite disse...

a magia das cores descrita em tons de sabores.

Lilá(s) disse...

Que delícia este poema, também gostei da suavidade da imagem.
Bom fim de semana
Bjs