
Quando eu morrer batam em latas ,
Rompam aos saltos e aos pinotes ,
Façam estalar no ar chicotes ,
Chamem palhaços e acrobatas !
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa ,
Eu quero por força ir de burro.
Mário de Sá Carneiro
2 comentários:
Esta festividade na morte, tão pagã e tão alegre foi uma surpresa para mim quando descobri o Mário pelos treze anos. Não cessa de me espantar e de me maravilhar. A morte devia ser esse "até breve" que nos encontraremos de novo. A materialidade impede-nos a alegria do despojamento.
Os Burros para mim são assim, alegres coloridos seres de extrema sensibilidade e paciência com as limitações da estupidez humana.
Luís
Luís
Luis ,
sabes que amo este Senhor ?
Quanto à morte há muito que a vejo assim .
Quanto aos burros concordo em absoluto contigo . Acrescento mais um atributo , que também vejo nos olhos das vacas , doçura .
Um beijo ,
Maria
Enviar um comentário