A _ cor _ dar , é preciso !






Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.

Mahatma Gandhi

sábado, novembro 07, 2009

Côr de ajaezado .



Quando eu morrer batam em latas ,
Rompam aos saltos e aos pinotes ,
Façam estalar no ar chicotes ,
Chamem palhaços e acrobatas
!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa ,
Eu quero por força ir de burro.



Mário de Sá Carneiro

2 comentários:

Luis Filipe Gomes disse...

Esta festividade na morte, tão pagã e tão alegre foi uma surpresa para mim quando descobri o Mário pelos treze anos. Não cessa de me espantar e de me maravilhar. A morte devia ser esse "até breve" que nos encontraremos de novo. A materialidade impede-nos a alegria do despojamento.
Os Burros para mim são assim, alegres coloridos seres de extrema sensibilidade e paciência com as limitações da estupidez humana.
Luís
Luís

Lilazdavioleta disse...

Luis ,
sabes que amo este Senhor ?

Quanto à morte há muito que a vejo assim .

Quanto aos burros concordo em absoluto contigo . Acrescento mais um atributo , que também vejo nos olhos das vacas , doçura .
Um beijo ,
Maria