_ Então rapariga , como vai o olho ? _
_ Bem .
_ Olha , agora se arranjares outro problema
muda de lado . . . sempre esquerdo _
Melhoras para o olho e pé .
Amanhã telefono . _
Trinta minutos depois quem telefonou foi a L .
A sua voz estava estranha .
_ Que aconteceu ? _
Fez -se uns minutos de silêncio , até que ela
com a voz cheia de lágrimas . . .
_ O nosso Luís deixou -nos _
Fiquei sem fala , na verdadeira acepção do
termo .
Telefonei mais tarde .
E o que se diz quando o nosso melhor e antigo
amigo morre ?
E quem me chamará rapariga e a quem chamarei amiguínho ?
Quem me obrigará a ler peças de teatro ,
para dar a opinião ? [ e a aflição que
sentia , quando não gostava ] .
Apesar de acreditarmos que continuas cá e que em breve nos encontraremos , ainda me sinto incrédula quanto à tua ausência , e as saudades
já se estão a formar .
Sei que não te faltará Luz . . .
aqui vai uma das tuas musica preferídas , embrulhada no abraço que não foi dado .
A _ cor _ dar , é preciso !
sábado, dezembro 26, 2015
terça-feira, dezembro 22, 2015
Côr de Natal
NATAL
Símbolo de luz transmutadora da escuridão ,
motor da vida , no renascer incessante.
O abraço do homem a toda a Mãe Natureza.
O inesperado na rotina ,
a essência no Homem.
Um abraço a todos ,
e , se possível ,
um pensamento Natalino todos os dias ,
neste ano de 2016 !
imagem _ william Barnes _
terça-feira, dezembro 08, 2015
domingo, novembro 08, 2015
sábado, novembro 07, 2015
Côr de biografia
Os versos
que te digam a pobreza que somos
o bolor nas paredes deste quarto deserto
os rostos a apagar - se
no frémito
do espelho
e o leito desmanchado
o peito aberto
a que chamaste
amor .
Sophia de Mello Breyner
imagem _ Marta Orlowska
quinta-feira, novembro 05, 2015
Côr de mestres de Ferreirim
Nasci no fim de 1533 , depois do pintor Cristóvão de Figueiredo ter assinado , a 27 de Novembro deste mesmo ano, na casa do bispo de Lamego , o contrato para pintar três retábulos no mosteiro de Santo António de Ferreirim .
A grandeza da empreitada a que o pintor se obrigou , fez – lhe nascer a boa ideia de me debuxar .
A tarefa era grande e o tempo escasso .
Assim , por minha sugestão , o pintor recorreu a dois companheiros e amigos , Garcia Fernandes e Gregório Lopes .
Parceria que ficou conhecida como mestres de Ferreirim , ainda que fossem de Lisboa .
Quando ,
estiveres a ver as pinturas do convento de Ferreirim, sou eu , acredita , que namora a menina dos teus olhos , lhes fala da mágoa pelos quadros danificados , e mostra-lhes a beleza _ a beleza que nasce da cor e da forma que tem o que é pintado, e te agarra , te convoca , te desarma e te põe em contemplação _
Podes não acreditar, mas sou eu que guardo para ti o espanto e to dou quando te entregas ao que aqui vês .
João Manuel Ribeiro [pequenos apontamentos do Anjo do pintor ]
imagem _ Elsa Lé _

segunda-feira, novembro 02, 2015
Côr de paraíso
O
paraíso não é um lugar
é
um breve momento que conquistamos .
Mia Couto
imagem _ Jackie Morris
Pode ,
porém , ser , também , um lugar . . .
Quando
dois dos seres que amamos , fazem ninho no nosso coração .
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coisitas minhas,
mia couto
sexta-feira, outubro 30, 2015
terça-feira, outubro 27, 2015
Côr de porta aberta
Podemos
entrar . . .
Uma porta azul e um anjo a conduzir - nos , nada mais seguro !
Há . . . muito cuidado ... não se esqueçam ...
A porta deve estar sempre aberta .
Obrigada !
imagem _ Net _
sábado, outubro 24, 2015
Côr de meus próprios passos
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui" !
Eu olho-os com olhos lassos,
[ há, nos meus olhos, ironias e cansaços ]
E cruzo os braços ,
E nunca vou por ali...
/
Não, não vou por aí ! Só vou por onde me levam meus próprios passos ...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis ... "vem por aqui" ?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí . . .
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos ?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil .
Eu amo o Longe e a Miragem ,
Amo os abismos , as torrentes , os desertos ...
Ide !
tendes estradas ,
Tendes jardins , tendes canteiros ,
Tendes pátrias , tendes tectos ,
E tendes regras , e tratados , e filósofos , e sábios.
Eu tenho a minha loucura !
Levanto-a , como um facho , a arder na noite escura ,
/
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções !
Ninguém me peça definições !
Ninguém me diga... " vem por aqui " !
A minha vida é um vendaval que se soltou.
/
Não sei por onde vou ,
Não sei para onde vou ,
Sei que não vou por aí.
José Régio [ Poemas de Deus e do Diabo , Cântico Negro , com alguns cortes ]
Imagem _ Luís Filipe Gomes _
quarta-feira, outubro 21, 2015
Côr de candura
Há
dias , precisamente quinze , caí na rua , ficando com o pé esquerdo debaixo do corpo . ...
Ida à urgência do hospital , radiografias , pomadas , comprimidos . . . e o mais aborrecido nestes casos ... [tirando as dores ] . . . quieta e pé " elevado "
Entretanto ,
ontem tive a visita da " minha " pequenina que logo à chegada diz . . .
_ tiveste muita sorte _
fiquei calada , com um um sorriso , à espera do " motivo da sorte "
_ olha se fosse a mão ? Tu que gostas tanto de mãos , ia doer mais , de certeza _ !
Ao sorriso juntou -se a emoção .
Puxei - a para mim , e agradeci , em silêncio , a candura deste raciocínio .
imagem _ Jim Warren _
sábado, outubro 17, 2015
Côr de haverá ?
A
humanidade não tem dinheiro para extrair água
em zonas áridas deste planeta .
Porém , tem -no para procurá -la em Marte .
Pergunto - me . . . existe vida inteligente no planeta Terra ?
imagem _ net _
domingo, outubro 11, 2015
Côr da mesma água
Os
que bebem da mesma água , adquirem
a qualidade suprema , do mesmo espanto . . .
imagem _ Matteo Arfanótti _
sábado, outubro 10, 2015
Côr de provas
Esta
velha humanidade , tudo quanto seja acreditar que dois e dois são quatro , quatro e quatro , oito , e oito e oito , dezasseis, muito bem e sem nenhuma prova .
Agora quando lhe dizem que há gente que morre pela sua verdade , é preciso mostrar-lhe Sócrates a beber a cicuta , Catão com a espada enterrada no ventre , Cristo pregado na cruz . . .
e nem assim.
Miguel Torga
imagem _ Tomasz Alen Kopera
segunda-feira, outubro 05, 2015
Côr desta raça
Somos todos de aqui.
Basta-nos a pátria
que uma tarde de domingo nos consente
entre folhas de outono e frases de abandono
/
Somos todos da raça dos mortos
ou vivos mais além
Mensagens de outra pátria não as traz
arauto algum que o nosso tempo vestisse
Ruy Belo
imagem _ Wieslaw Walkuski _
Côr de Republica
Não
significa que tenham nascido recentemente . . .
alguns pequenos . . . alguns por volta de 1939 . . .
sábado, outubro 03, 2015
sábado, setembro 26, 2015
Côr de aceitação
Sem pressa ,
o vento faz passar pelos rostos , todas as cores
da vida , para que uma maior capacidade
de aceitação aconteça .
imagem _ Tomasz Alen Kopera _
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aceitação,
coisitas minhas
segunda-feira, setembro 21, 2015
Côr de país . . .
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência
cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
Ruy Belo [ todos os poemas ]
quinta-feira, setembro 17, 2015
Côr de ovos azuis
Ovos azuis ?
Reclamou a professora , indignada , interrompendo a leitura
da minha redacção , enquanto a turma se agitava em risinhos de troça e segredinhos maliciosos.
Ovos azuis , sim , senhora professora , respondi eu .
_ A minha galinha põe ovos azuis _ .
_ A menina está a brincar comigo ? _
_ Já viu alguma galinha pôr ovos azuis ? _
Sente-se imediatamente e faça já outra redacção _.
Reclamou a professora , indignada , interrompendo a leitura
da minha redacção , enquanto a turma se agitava em risinhos de troça e segredinhos maliciosos.
Ovos azuis , sim , senhora professora , respondi eu .
_ A minha galinha põe ovos azuis _ .
_ A menina está a brincar comigo ? _
_ Já viu alguma galinha pôr ovos azuis ? _
Sente-se imediatamente e faça já outra redacção _.
Voltei para o meu lugar , de cabeça erguida , enfrentando a galhofa da turma.
Não baixei os olhos , apenas os senti escurecer , num desafio.
Durante o recreio fiquei na aula, de castigo.
Mas não fiz outra redacção.
Depois do "toque", a professora chamou-me para que lesse , em voz alta , a segunda versão .
Comecei ...
Era uma vez uma galinha branca que punha ovos brancos ... só porque não a deixavam pôr ovos azuis .
Maria José Balancho
imagem _ maude white
Porém , há os que ensinam , outros que tentam aprender , Escrita Criativa . . .
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coisitas minhas,
escrita criativa
sábado, setembro 12, 2015
Côr de agradecimento
Agradeço
as visitas e palavras deixadas na publicação anterior .
O meu cansaço permanece , porém , a vontade / necessidade de compartilhar aquilo que considero interessante e gosto , com alguns amigos , " falou mais alto " .
Falo - ei mais lentamente .
Um abraço para quem gostar de abraços e um beijo para quem destes gostar ,
Maria
imagem _ Christian Schloe _
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agradecer,
coisitas minhas
segunda-feira, julho 06, 2015
Côr de até . . .
As
palavras ainda não estão gastas . . . mas estão
a perder , mais e mais , o sentido .
Fujo à rotina ,
vou com as aves . . . . . . não dizendo adeus , mas um até
. . . . . .
imagem _ Christian Schloe _
domingo, julho 05, 2015
quinta-feira, julho 02, 2015
Côr de perder o jeito
quarta-feira, julho 01, 2015
sábado, junho 27, 2015
Côr de fada madrinha
_ Mãe ,
quando nasci , estava presente a fada madrinha ? _
perguntou a criança .
_ claro _ , respondeu a mãe .
_ que disse ela ? _
_ Que ias ser uma bela mulher, inteligente e sensível, ias ser feliz , portanto _
A criança cresceu . . . . . .
_ Hó Mãe . . . estas características , numa mulher , não transportam felicidade , pelo contrário , afastam . . . _
E
Tu e a fada já sabiam ! _
imagem _ Michael Parkes _
quarta-feira, junho 17, 2015
Côr de anseio
Anseio
que as minhas palavras possam ser substituídas pelo toque , pelo sentir . . .
que as minhas palavras possam ser substituídas pelo toque , pelo sentir . . .
. . . pelo segredo das
coisas simples e raras .
Por
favor . . . . . . leva - me contigo . . .
imagem _ Gregory Colbert _
quarta-feira, junho 10, 2015
Côr de Luís de Camões
Não do mar , meu Luís mas dessa mágoa
Marchetada de tudo apartada de quem
não mais trouxer os olhos rasos de água
por esta terra de ninguém.
Não do mar , meu Luís mas da raiz
da nossa amarga pátria portuguesa
chulando o mal de bernardim
até á ultima grandeza.
Não do mar , meu Luís mas da galega
couve de pranto aberta , pranto raro
pranto tão canto que a cantar te quero
neste deserto de quem fala claro .
José Carlos Ary dos Santos
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dia 10 de junho,
dia de Camões
terça-feira, junho 02, 2015
Côr de não fales
Preciso do teu silêncio cúmplice
sobre minhas falhas .
Não fales .
Um sopro , a menor vogal
pode me desamparar .
E se eu abrir a boca ,
minha alma vai rachar .
O silêncio , aprendo ,
pode construir.
É um modo
denso / tenso
de coexistir .
Calar , às vezes ,
é fina forma de amar.
Affonso Romano de Sant'Anna
sábado, maio 30, 2015
Côr de sentido de humor
Ter
sentido de
humor, não é , para mim, rir do inusitado.
Isso é saber rir.
Humor é fazê-lo de
nós próprios. E quando isso acontece , segue-se uma sensação boa , de bem estar.
Que tem a nossa côr preferida. Aquilo a que chamamos tolerância .
É aquele riso que é aceite no coração , e sobe a todas as partículas do nosso ser , e nos torna mais fortes e confiantes . !
É aquele riso que é aceite no coração , e sobe a todas as partículas do nosso ser , e nos torna mais fortes e confiantes . !
sábado, maio 23, 2015
Côr de maçã menina
No
alto do ramo ,
alta no ramo mais alto ,
uma tão rosa maçã . . .
esqueceram - na os apanhadores da fruta.
Esqueceram -na ?
Não !
Mãos não tiveram . . . para a colher .
Safo
imagem _Kate MacDawell _
domingo, maio 17, 2015
terça-feira, maio 12, 2015
Côr de uma asa
Noite fora , noite fora ,
acordaremos , já sei , transparentes e sábios ,
do outro lado da criação do mundo . . .
uma mão presa à luz outra nas trevas ,
um só tronco de chamas , uma asa .
António Franco Alexandre
imagem _ _ Albrecht Durer _
domingo, maio 10, 2015
Côr de vais ver
Cruzamos
os nossos olhos em alguma esquina ,
demos civicamente os bons dias ,
chamar - nos - ão , vais ver , contemporâneos .
Ruy Belo
imagem _ Herbert Bayer _
terça-feira, maio 05, 2015
Côr de fotografia
Chinolope vendia jornais e engraxava sapatos em
Havana.
Para deixar de ser pobre , foi-se embora para Nova Iorque.
Lá , alguém deu - lhe de presente uma máquina de fotografia.
Chinolope nunca tinha segurado uma câmara nas
mãos, mas disseram - lhe que era fácil . . .
_ Você olha por aqui e aperta ali _.
E ele começou a andar pelas ruas.
Tinha andado pouco quando escutou tiros e se
meteu num barbeiro e levantou a câmara e olhou
por aqui e apertou ali .
Na barbearia tinham baleado o gângester
José Anastasia , que estava fazendo a barba .
E aquela foi a primeira foto da vida profissional
de Chinolope.
Pagaram uma fortuna por ela.
A foto era uma façanha.
Chinolope tinha conseguido fotografar a morte.
A morte estava ali . . . não no morto , nem no matador.
A morte estava na cara do barbeiro que a viu.
Eduardo Galeano _ O livro dos abraços _
Imagem _ Loui Jover _
sexta-feira, maio 01, 2015
domingo, abril 26, 2015
Côr de . . . furtar
Roubam-me Deus
outros o Diabo
_ quem cantarei ?
Roubam-me a Pátria ,
e a Humanidade
outros ma roubam
_ quem cantarei ?
Sempre há quem roube
quem eu deseje ,
e de mim mesmo
todos me roubam
_ quem cantarei ?
Roubam-me a voz
quando me calo ,
ou o silêncio
mesmo se falo
_ aqui del rei !
Jorge de Sena
imagem _ Emanuele de Reggi _
sábado, abril 25, 2015
quarta-feira, abril 22, 2015
terça-feira, abril 14, 2015
domingo, abril 12, 2015
Côr de . . . mas país
Plantados como árvores no chão
ao alto ergueis os vossos troncos nus
e o fruto que produz a vossa mão
vem do trabalho e transparece a luz
Nenhum passado vale o dia-a-dia
Sonho só o que vós consentis
Verdade a que de vós só irradia ,
Portugal não é pátria , mas país .
Ruy Belo
imagem _ Arsen Roje _
sábado, abril 04, 2015
Côr de . . . é fácil
Desde
criança que sonhava ter como amigo um dragão
Descobri que é fácil . . .
Basta este gesto !
imagem _ maude white _
quinta-feira, abril 02, 2015
terça-feira, março 31, 2015
Côr de ternura e medo
A
ternura escolhe onde vai surgir ?
Sinto que sim . . .
O
nosso medo é que , por vezes , a afasta !
imagem _ net _
sexta-feira, março 27, 2015
Côr de Teatro
A
vida presenteia - nos , diáriamente , com belas peças teatrais , sobretudo no que se refere à encenação . . .
O
elenco , porém , está cada vez mais lastimável . . .
imagem _ Michael Cheval _
terça-feira, março 24, 2015
Côr de Herberto Helder
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável , único ,
invade as órbitas , a face amorfa das paredes ,
a miséria dos minutos ,
a força sustida das coisas ,
a redonda e livre harmonia do mundo .
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério .
E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
Até sempre, Poeta . . .
sábado, março 21, 2015
Côr de Poesia
Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total ,
À agitação do mundo do irreal ,
E calma subirei até às fontes .
Irei até às fontes onde mora
A plenitude , o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora ,
E na face incompleta do amor .
Irei beber a luz e o amanhecer ,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa ,
E nela cumprirei todo o meu ser .
Sophia de Mello B. Andresen _ Obra Poética _
imagem _ Alphonse Mucha , Poesia _
Etiquetas:
dia da poesia,
Sophia de mello breyner
terça-feira, março 17, 2015
Côr de ... ?
O domador que mete a cabeça na boca
do leão , que busca ?
A piedade do público ?
A do leão ?
A sua própria piedade ?
E o público , está louco ? . . . Porque aplaude ?
Jorge Boccanera
imagem _ Sharon Tancrel _
sábado, março 14, 2015
Côr de ... pelas mãos
Tinham as mãos amarradas, ou algemadas,
e
ainda assim , os dedos dançavam , voavam ,
desenhavam palavras .
Os presos estavam encapuzados , mas inclinando-se conseguiam ver alguma coisa , alguma coisinha , por baixo. E embora fosse proibido falar, eles conversavam com as mãos.
Pinio Ungerfeld ensinou me o alfabeto dos dedos , que aprendeu na prisão sem professor . . .
_ Alguns tinham caligrafia ruim , me disse. Outros tinham letra de artista _ .
A ditadura uruguaia queria que cada um fosse apenas
um , que cada um fosse ninguém . . .
nas cadeias e quartéis , e no país inteiro , a comunicação era delito.
Alguns presos passaram mais de dez anos enterrados em calabouços solitários do tamanho de um ataúde , sem escutar outras vozes além do ruído das grades ou dos passos das botas pelos corredores.
Fernández Huidobro e MaurícioRosencof , condenados
a essa solidão , salvaram-se porque conseguiram conversar , com batidinhas na parede.
Assim contavam sonhos e lembranças, amores e desamores , discutiam , se abraçavam ,
brigavam , compartilhavam certezas e belezas
e
também dúvidas e culpas e perguntas que não têm resposta.
Quando é verdadeira , quando nasce da necessidade de dizer ,
a voz humana não encontra quem a detenha.
Se lhe negam a boca , ela fala pelas mãos .
Eduardo Galeano _ O livro dos abraços _
imagem _ net _
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